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Filósofos / Georg Simmel
Moderno

Georg Simmel

1858 – 1918
Berlin, Germany
Pragmatismo Sociology Philosophy of Culture Ethics Metaphysics Philosophy of History Aesthetics
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Georg Simmel foi um filósofo e sociólogo alemão cuja 'sociologia formal' analisou as formas duradouras de interação social — competição, conflito, troca, subordinação — independentemente de seu conteúdo histórico particular, estabelecendo-o como um dos fundadores da sociologia moderna ao lado de Durkheim e Weber. Sua *Filosofia do Dinheiro* (1900) rastreou as consequências culturais e metafísicas da monetização da vida moderna, enquanto seus ensaios sobre a modernidade, a metrópole e a moda diagnosticaram as peculiares tensões psicológicas da existência urbana moderna com uma acuidade sociológica incomparável.

Ideias Principais

Sociologia formal, formas sociais de interação, filosofia do dinheiro, monetização do valor, atitude blasé, o estrangeiro, tragédia da cultura, filosofia da vida, teia de afiliações grupais, díade e tríade

Contribuições Principais

  • Fundou a sociologia formal — a investigação sistemática das formas recorrentes de interação social (conflito, troca, subordinação, sigilo) independentemente de seu conteúdo histórico particular
  • Desenvolveu uma filosofia abrangente do dinheiro em *Filosofia do Dinheiro* (1900), mostrando como a monetização de todos os valores transforma a cultura, a psicologia e as relações humanas em direção à abstração e à relatividade
  • Diagnosticou a psicologia característica da vida urbana moderna — a atitude blasé, a autoproteção intelectualista, a individualidade cultivada — em 'A Metrópole e a Vida Mental' (1903), fundando a sociologia urbana como disciplina
  • Introduziu o conceito de 'o estrangeiro' — a figura social que é simultaneamente próxima e distante, dentro e fora — como categoria-chave na sociologia das fronteiras grupais
  • Analisou a sociologia da moda como expressão da tensão social universal entre conformidade e individuação
  • Desenvolveu a tese da 'tragédia da cultura': a cultura é produzida pela vida, mas as formas culturais se solidificam em estruturas mortas que constrangem os impulsos vivos que as criaram
  • Foi pioneiro do ensaio como forma filosófica, produzindo microanálises de fenômenos cotidianos que revelavam a profundidade filosófica oculta no mundano

Questões Centrais

Quais são as formas duradouras pelas quais os seres humanos se associam, e podem ser estudadas sistematicamente independentemente de seu conteúdo histórico particular?
Como o meio universal do dinheiro transforma as dimensões qualitativas da vida humana em relações abstratas e quantitativas?
Quais são as respostas psicológicas características à superestimulação e ao anonimato da vida urbana moderna?
Como o indivíduo mantém um senso de identidade única sob a pressão homogeneizante da sociedade de massas e da cultura monetária?
Qual é a relação entre o fluxo vivo da experiência (vida) e as formas cristalizadas (cultura, instituições, ideias) que a experiência produz?
Como as características específicas da interação em pequenos grupos (a díade, a tríade, o estrangeiro) geram as estruturas básicas da vida social?

Teses Principais

  • A sociedade não consiste numa substância ou entidade, mas na soma das interações entre indivíduos — é um processo, não uma coisa
  • O dinheiro é a expressão perfeita do princípio moderno da pura relatividade: não tem valor intrínseco mas é a medida universal do valor relativo
  • A atitude blasé — indiferença a todas as distinções de valor — é a resposta psicológica característica à superestimulação da vida metropolitana
  • A tragédia da cultura é que a vida, para se expressar, deve produzir formas que eventualmente se cristalizam e se opõem ao impulso vivo que as criou
  • O estrangeiro é a pessoa que combina proximidade e distância numa configuração social específica — presente mas não pertencente — e essa configuração tem sua própria função social positiva
  • A liberdade individual na sociedade moderna depende paradoxalmente da impessoalidade das relações monetárias — o pagamento em dinheiro nos liberta da dependência pessoal ao mesmo tempo que atomiza os laços sociais

Biografia

Vida Inicial em Berlim

Georg Simmel nasceu em 1º de março de 1858, em Berlim — no centro da cidade, na esquina da Leipzigerstrasse com a Friedrichstrasse — o caçula de sete filhos de um empresário judeu convertido ao cristianismo. Seu pai morreu quando Simmel era jovem, e ele foi colocado sob os cuidados de um amigo da família que se tornou seu tutor e lhe deixou uma herança substancial.

Simmel estudou história, psicologia, etnologia e filosofia na Universidade de Berlim, onde obteve seu Ph.D. em 1881 e sua habilitação em 1885. Permaneceu em Berlim como Privatdozent (docente não remunerado) por quinze anos — um extraordinariamente longo período de marginalidade institucional que refletia as barreiras antissemitas que enfrentava na vida acadêmica alemã, apesar de sua fama.

Sociologia Formal e a Descoberta da Forma Social

A contribuição fundadora de Simmel para a sociologia foi a distinção entre conteúdo — os interesses, impulsos e objetivos que motivam os seres humanos a se reunirem — e forma — os padrões de interação que emergem da associação independentemente do conteúdo particular envolvido. O conflito, por exemplo, é uma forma que aparece em disputas familiares, concorrência comercial, controvérsia religiosa e guerra internacional — cada uma com conteúdo completamente diferente, mas com a mesma estrutura formal.

Essa distinção permitiu a Simmel definir a sociologia como a ciência das formas sociais: a investigação sistemática dos padrões recorrentes — interação diádica e triádica, subordinação e superordenação, sociedade secreta e esfera pública, estrangeiro e anfitrião — através dos quais a vida social humana se organiza.

A Filosofia do Dinheiro

A obra mais ambiciosa de Simmel, Filosofia do Dinheiro (1900, revisada em 1907), usa o dinheiro como lente para examinar a transformação da cultura moderna. O dinheiro — como meio universal de troca — não é meramente uma conveniência econômica, mas a encarnação de uma relação particular com o mundo: a relação da pura relatividade. O nivelamento de todo valor — o que Simmel chama de 'tragédia da cultura' — expressa-se em toda a vida moderna.

A Metrópole e Ensaios sobre a Cultura Moderna

Os ensaios de Simmel sobre a modernidade — 'A Metrópole e a Vida Mental' (1903), 'O Estrangeiro' (1908), 'A Moda' (1905), 'A Sociologia do Segredo' (1906) — estão entre os diagnósticos mais penetrantes da experiência urbana moderna já escritos. 'O Estrangeiro' — a figura que está ao mesmo tempo próxima e distante, que pertence e não pertence — introduziu um conceito que se tornou central na sociologia do século XX.

Carreira Acadêmica e Marginalidade

Simmel permaneceu Privatdozent até 1900, quando se tornou extraordinarius (professor associado sem salário) — ainda sem cátedra plena, apesar do apoio de Dilthey, Weber e outros acadêmicos proeminentes. As barreiras eram ao mesmo tempo antissemitas e disciplinares. Recebeu uma cátedra plena apenas em 1914, na Universidade de Estrasburgo — uma nomeação provincial que chegou tarde demais. Morreu ali em 26 de setembro de 1918, de câncer no fígado.

Legado

A influência de Simmel foi enorme mas frequentemente não reconhecida. Sua sociologia formal moldou a Escola de Chicago (por meio de Robert Park). Seus ensaios culturais influenciaram a Escola de Frankfurt. Sua análise do dinheiro e da abstração antecipa a teoria da reificação de Lukács.

Métodos

Formal analysis of social interaction — abstracting the form from the content to identify recurring structural patterns Philosophical essay as a genre — the investigation of a concrete phenomenon (money, fashion, the stranger) to reveal universal structures Relational ontology — analyzing social phenomena as constituted by relations rather than substances or individuals Cultural diagnosis — reading the surface phenomena of modern life (fashion, the blasé attitude, urban anonymity) as symptoms of deeper transformations

Citações Notáveis

"Os problemas mais profundos da vida moderna decorrem da tentativa do indivíduo de manter a independência e a individualidade de sua existência face aos poderes soberanos da sociedade, de sua herança histórica, da cultura externa e da técnica de vida." — A Metrópole e a Vida Mental (1903)
"O dinheiro é o nivelador aterrorizante: esvazia o núcleo das coisas, a sua individualidade, o seu valor específico e incomparabilidade, para transformá-las numa equivalência puramente quantitativa." — Filosofia do Dinheiro (1900)
"O estrangeiro não é considerado aqui no sentido usual do termo, como o viajante que chega hoje e parte amanhã, mas sim como o homem que chega hoje e fica amanhã." — Sociologia (1908), 'O Estrangeiro'
"A moda é a imitação de um dado modelo e satisfaz a demanda por adaptação social; conduz o indivíduo pela estrada que todos percorrem." — Moda (1905)
"A vida é conflito. Toda forma que a vida criou torna-se um obstáculo ao seu próprio desenvolvimento ulterior." — A Visão da Vida (1918)

Obras Principais

  • On Social Differentiation Livro (1890)
  • The Problems of the Philosophy of History Livro (1892)
  • Philosophy of Money Livro (1900)
  • The Metropolis and Mental Life Ensaio (1903)
  • The Sociology of Religion Ensaio (1905)
  • Fashion Ensaio (1905)
  • Kant and Goethe Ensaio (1906)
  • The Sociology of Secrecy and of Secret Societies Ensaio (1906)
  • Schopenhauer and Nietzsche Livro (1907)
  • Sociology: Investigations on the Forms of Sociation Livro (1908)
  • Fundamental Questions of Sociology Livro (1917)
  • The View of Life: Four Metaphysical Essays Ensaio (1918)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • Philosophy of Money (trans. Tom Bottomore and David Frisby, 3rd ed., 2004)
  • Sociology: Inquiries into the Construction of Social Forms (trans. Anthony Blasi et al., 2009)
  • David Frisby, Georg Simmel (2nd ed., 2002)
  • David Frisby, Sociological Impressionism: A Reassessment of Georg Simmel's Social Theory (1981)
  • Lewis Coser (ed.), Georg Simmel (1965)
  • Mike Featherstone (ed.), Theory, Culture and Society special issue on Simmel (vol. 8, 1991)
  • Scott Lash and Sam Whimster (eds.), Max Weber, Rationality and Modernity (1987) — for the Simmel-Weber connection
  • David Kettler, 'Culture and Revolution: Lukacs in the Hungarian Revolution of 1918–1919' — on Simmel's influence on Lukács

Links Externos

Traduções

Portuguese
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Spanish
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Italian
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