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Filósofos / Immanuel Kant
Início da Modernidade

Immanuel Kant

1724 – 1804
Königsberg, Prussia
Idealismo Racionalismo Epistemology Metaphysics Ethics Aesthetics Political philosophy Philosophy of religion Philosophy of science Philosophy of history
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Immanuel Kant foi um filósofo alemão cuja filosofia crítica representa a mais ambiciosa e sistemática tentativa na história do pensamento ocidental de determinar o alcance e os limites da razão humana. Suas três Críticas — da razão pura, da razão prática e do juízo — revolucionaram a epistemologia ao argumentar que a mente estrutura ativamente a experiência, fundamentaram a moralidade na vontade racional autônoma por meio do imperativo categórico e forneceram uma nova concepção do juízo estético e teleológico. A 'revolução copernicana' de Kant na filosofia — a tese de que os objetos devem se conformar ao nosso conhecimento, e não o conhecimento aos objetos — permanece o evento definidor da filosofia moderna.

Ideias Principais

Imperativo categórico, idealismo transcendental, sintético a priori, autonomia, paz perpétua

Contribuições Principais

  • Executou a 'revolução copernicana' na filosofia: os objetos devem se conformar ao nosso conhecimento, e não o conhecimento aos objetos — a mente estrutura ativamente a experiência por meio de formas a priori
  • Desenvolveu o idealismo transcendental: conhecemos os fenômenos (as coisas como aparecem) mas não os nômenos (as coisas em si mesmas); espaço, tempo e as categorias são condições da experiência possível
  • Formulou o imperativo categórico como o princípio supremo da moralidade: age apenas segundo máximas que poderias querer que se tornassem leis universais
  • Fundamentou a dignidade humana na autonomia racional da vontade moral — toda pessoa é fim em si mesma, jamais apenas meio
  • Resolveu o debate racionalismo-empirismo mostrando que o conhecimento requer tanto conceitos a priori (do entendimento) quanto conteúdo a posteriori (dos sentidos)
  • Desenvolveu a teoria do juízo estético, distinguindo o belo do sublime e argumentando pela universalidade subjetiva do gosto
  • Defendeu a paz perpétua por meio de uma federação de repúblicas livres governadas pelo direito internacional
  • Distinguiu entre juízos analíticos e sintéticos, argumentando que a possibilidade do conhecimento sintético a priori é a questão central da metafísica

Questões Centrais

Que posso conhecer? (A questão da epistemologia e dos limites da razão)
Que devo fazer? (A questão da moralidade e do dever)
Que me é permitido esperar? (A questão da religião e do bem supremo)
Que é o ser humano? (A questão unificadora que integra as três anteriores)
Como são possíveis os juízos sintéticos a priori — juízos que são ao mesmo tempo informativos e necessários?
Podem os princípios morais ser fundamentados apenas na razão, independentemente da inclinação e das consequências?

Teses Principais

  • Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas — o conhecimento requer a cooperação da sensibilidade e do entendimento
  • Espaço e tempo não são propriedades das coisas em si mesmas, mas as formas a priori da intuição sensível humana
  • As categorias do entendimento (causalidade, substância etc.) são as condições necessárias para a possibilidade da experiência — aplicam-se aos fenômenos, não aos nômenos
  • Age apenas segundo aquela máxima pela qual podes ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal (o imperativo categórico)
  • Age de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre como fim e nunca apenas como meio
  • Duas coisas enchem o espírito de admiração e reverência sempre renovadas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim
  • O esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade autoimposta — Sapere aude! (Ousa saber!)
  • Liberdade, Deus e imortalidade não podem ser provados pela razão teórica, mas são postulados pela razão prática como condições da vida moral

Biografia

Vida Inicial e Formação

Immanuel Kant nasceu em 22 de abril de 1724, em Königsberg, Prússia Oriental (atual Kaliningrado, Rússia), o quarto de nove filhos de uma família de posses modestas. Seu pai era seleiro; sua mãe, Anna Regina Reuter, era uma piedosa pietista cuja seriedade moral moldou profundamente o caráter de Kant. Estudou no Collegium Fridericianum, uma escola pietista, e ingressou na Universidade de Königsberg em 1740, onde estudou filosofia, matemática e física.

Kant jamais deixou Königsberg e seus arredores durante toda a sua vida — e, no entanto, desta cidade provinciana reformulou o panorama intelectual do mundo moderno.

O Período Pré-Crítico

Após a morte de seu pai em 1746, Kant passou nove anos como tutor privado antes de retornar à universidade. Obteve seu doutorado e habilitação em 1755 e tornou-se Privatdozent (docente sem remuneração fixa) — cargo que exerceu por quinze anos antes de ser finalmente nomeado Professor de Lógica e Metafísica em 1770.

Durante esse período 'pré-crítico', Kant publicou obras importantes em filosofia natural e metafísica, incluindo a História Natural Universal e Teoria dos Céus (1755), que propôs uma hipótese nebular para a formação do sistema solar — antecipando notavelmente a hipótese de Kant-Laplace.

A Viragem Crítica

Kant descreveu posteriormente como a leitura de David Hume 'despertou-o de seu sono dogmático'. A demonstração humiana de que a causalidade não pode ser racionalmente justificada — que nossa crença em conexões necessárias entre eventos repousa no hábito, e não na razão — representou um desafio devastador para a metafísica racionalista. Kant passou mais de uma década elaborando sua resposta.

O resultado foi a Crítica da Razão Pura (Kritik der reinen Vernunft, primeira edição 1781, segunda edição substancialmente revisada em 1787) — um dos livros mais difíceis e mais importantes jamais escritos. A 'revolução copernicana' de Kant propôs que, ao invés de a mente se conformar passivamente aos objetos, os objetos se conformam às estruturas da mente. Espaço, tempo e as categorias do entendimento (causalidade, substância etc.) não são características das coisas em si mesmas, mas as condições a priori que a mente impõe à experiência. Podemos ter conhecimento apenas dos fenômenos (as coisas tais como nos aparecem), nunca dos nômenos (as coisas tais como são em si mesmas).

Esse 'idealismo transcendental' simultaneamente salvou a ciência natural (ao fundamentar as leis causais nas estruturas necessárias da mente) e limitou a metafísica (ao mostrar que Deus, a liberdade e a imortalidade estão além do alcance da razão teórica).

A Filosofia Moral

A filosofia moral de Kant, desenvolvida na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) e na Crítica da Razão Prática (1788), figura entre as teorias éticas mais influentes jamais propostas. A moralidade, argumentou Kant, não está fundamentada nas consequências, nos sentimentos ou no mandamento divino, mas na capacidade da vontade racional de legislar a lei universal para si mesma. O princípio supremo da moralidade é o imperativo categórico: 'Age apenas segundo aquela máxima pela qual podes ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal.'

Uma segunda formulação — 'Age de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre como fim e nunca apenas como meio' — fundamenta a dignidade e o valor incondicionais de todo ser racional.

A Terceira Crítica e Obras Tardias

A Crítica da Faculdade do Juízo (1790) abordou a estética e a teleologia, argumentando que os juízos de beleza e sublimidade envolvem uma forma distintiva de juízo reflexivo, e que estamos justificados em ver a natureza como se estivesse organizada propositalmente — ainda que não possamos provar que esteja.

Os escritos políticos e históricos tardios de Kant — À Paz Perpétua (1795), A Metafísica dos Costumes (1797) e vários ensaios sobre história, esclarecimento e cosmopolitismo — desenvolveram sua visão de uma ordem internacional racional e governada pela lei.

Morte e Legado

A saúde de Kant declinou em seus últimos anos, e ele faleceu em 12 de fevereiro de 1804, em Königsberg. Suas últimas palavras foram, segundo relatos, 'Es ist gut' ('Está bom').

A influência de Kant sobre a filosofia é incomparável no período moderno. O Idealismo Alemão (Fichte, Schelling, Hegel), o neokantismo, a fenomenologia, a filosofia analítica e a teoria moral e política contemporânea rastreiam suas raízes até a filosofia crítica de Kant. As categorias por meio das quais pensamos conhecimento, moralidade, estética e política permanecem fundamentalmente kantianas.

Métodos

Transcendental argument (identifying the conditions of possibility of experience/knowledge) Critical analysis of the faculties of reason Deduction of a priori categories and principles Thought experiments and test cases for moral maxims Systematic architectonic construction

Citações Notáveis

"Duas coisas enchem o espírito de admiração e reverência sempre renovadas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim." — Crítica da Razão Prática, Conclusão
"Sapere aude! Tem coragem de usar teu próprio entendimento!" — Resposta à Pergunta: O que é o Esclarecimento?
"Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas." — Crítica da Razão Pura, A51/B75
"Da madeira torta da humanidade nunca se fez nada reto." — Ideia de uma História Universal com um Propósito Cosmopolita, Sexta Proposição
"Age de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre como fim e nunca apenas como meio." — Fundamentação da Metafísica dos Costumes, 4:429

Obras Principais

  • Critique of Pure Reason Tratado (1781)
  • Groundwork of the Metaphysics of Morals Tratado (1785)
  • Critique of Practical Reason Tratado (1788)
  • Critique of the Power of Judgment Tratado (1790)
  • Perpetual Peace Tratado (1795)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • Critique of Pure Reason (trans. Paul Guyer and Allen Wood, Cambridge Edition)
  • Kant by Roger Scruton (Oxford: Very Short Introductions)
  • The Cambridge Companion to Kant (ed. Paul Guyer)
  • Kant: A Biography by Manfred Kuehn

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