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Filósofos / Kitaro Nishitani
Moderno

Kitaro Nishitani

1900 – 1990
Noto, Japan
Existencialismo Fenomenologia Budismo Zen Philosophy of Religion Metaphysics Philosophy of Mind Ethics Philosophy of Science Comparative Philosophy
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Kitaro Nishitani (1900–1990) foi um filósofo japonês e a terceira grande figura da Escola de Quioto, cuja obra central *A Religião e o Nada* (1961) constitui uma das mais profundas confrontações filosóficas com o niilismo no século XX. Formado por Nishida Kitaro e profundamente influenciado pelo budismo Zen e pelo misticismo alemão (Meister Eckhart), Nishitani argumentou que o niilismo moderno — o colapso do sentido, dos valores e da identidade do eu experimentado no rastro da ciência e da secularização — não pode ser superado retornando ao teísmo tradicional ou ao humanismo secular, mas apenas passando *através* do niilismo até o que ele chamou de 'campo da *śūnyatā*' (vacuidade), onde a negação niilística do ego-eu cede lugar a uma abertura não dualista à realidade.

Ideias Principais

Śūnyatā (vacuidade) como campo ontológico, três campos (consciência, nulidade, vacuidade), superação do niilismo pela śūnyatā, interpenetração circuminsessional, o eu que não é eu, Zen e Meister Eckhart, religião e nada, originação dependente (engi), crítica do ego-eu, ciência e tecnologia como niilismo objetivante, passar pelo niilismo e não ao seu redor

Contribuições Principais

  • Desenvolveu o conceito de três 'campos' ontológicos (consciência, nulidade, śūnyatā) como fenomenologia da situação espiritual da modernidade, fornecendo uma resposta filosófica budista ao niilismo nietzschiano
  • Articulou o campo da śūnyatā (vacuidade) como o ponto de vista além do niilismo — não um retorno ao teísmo ou humanismo pré-niilístico, mas um avanço para uma abertura não dualista à realidade por meio da transformação do ego-eu
  • Produziu uma das comparações filosófico-religiosas transculturais mais sofisticadas entre o pensamento místico budista e cristão (especialmente Meister Eckhart e o Zen)
  • Desenvolveu o conceito do 'eu que não é eu' como alternativa não dualista tanto ao eu autônomo ocidental quanto à negação budista do eu
  • Forneceu uma análise filosófica da ciência e da tecnologia como expressões do ego-eu objetivante, cujas consequências niilísticas requerem uma resposta budista
  • Escreveu A Autossuperação do Niilismo (publicado em 1990), fornecendo um dos tratamentos filosóficos mais completos de Nietzsche a partir de uma perspectiva do Leste Asiático

Questões Centrais

O niilismo moderno — o colapso do sentido, dos valores e da identidade do eu — pode ser superado e, em caso afirmativo, como?
O conceito budista de śūnyatā (vacuidade) é uma forma de niilismo ou representa um ponto de vista além do niilismo que afirma a realidade de uma nova maneira?
Qual é a relação entre o eu e o nada — a experiência da nulidade destrói o eu ou existe uma transformação do eu que se abre por meio do encontro com a vacuidade?
Como a religião deve ser compreendida após a dissolução do teísmo tradicional — existe uma forma de religiosidade genuína que não requer a linguagem metafísica sobre Deus?
Qual é a relação filosófica entre o budismo Zen, o misticismo cristão (Meister Eckhart) e o existencialismo alemão — eles apontam para o mesmo campo ontológico?

Teses Principais

  • O niilismo não pode ser superado retornando à religião tradicional ou ao humanismo secular — deve ser atravessado até um ponto de vista mais profundo (śūnyatā) que ele mesmo abre
  • Śūnyatā não é mero vazio (nulidade), mas um campo dinâmico e afirmativo no qual as coisas aparecem em sua 'sutileza' — em sua mútua interpenetração e em sua distinção genuína simultaneamente
  • O campo da śūnyatā revela um 'eu que não é eu' — o ego dissolve sua apreensão sem deixar de ser um centro de consciência e ação
  • A ciência e a tecnologia, ao objetivar a natureza, são expressões da postura apreensiva do ego-eu — e o niilismo que geram só pode ser respondido pela transformação dessa postura por meio da śūnyatā
  • A Divindade (*Gottheit*) de Meister Eckhart e a śūnyatā do Zen apontam para o mesmo campo: ambos descrevem o avanço além do Deus pessoal ou do eu para um fundamento impessoal e não dualista

Biografia

Vida Precoce e Formação

Kitaro Nishitani nasceu em 27 de fevereiro de 1900 em Noto-cho, Prefeitura de Ishikawa, Japão, em uma família com raízes samurais. Sua infância precoce foi marcada pela doença e morte do pai e por sua própria tuberculose grave, experiências que lhe deram um conhecimento precoce e íntimo da morte e da fragilidade existencial. Estudou na Universidade Imperial de Quioto sob Kitaro Nishida, graduando-se em 1924, e tornou-se um dos alunos mais dedicados de Nishida e, eventualmente, seu sucessor intelectual como voz dominante da Escola de Quioto.

Em 1937–1939, Nishitani estudou na Alemanha com Martin Heidegger na Universidade de Friburgo — um encontro que moldou profundamente seu vocabulário filosófico e sua confrontação com o niilismo, embora ele viesse a julgar a análise de Heidegger como filosoficamente incompleta de uma perspectiva budista. Estudou também Meister Eckhart intensivamente durante esse período, encontrando no conceito do místico medieval de Gelassenheit (abandono) e da Gottheit (Divindade) além de Deus ressonâncias com o conceito Zen de śūnyatā.

Professor e Controvérsias

Nishitani retornou a Quioto e lecionou na Universidade Imperial de Quioto a partir de 1943, tornando-se professor em 1943. Como Tanabe, foi associado durante a Segunda Guerra Mundial ao simpósio 'Superando a Modernidade' (kindai no chōkoku) de 1942 — um encontro de intelectuais japoneses que discutiram as bases filosóficas dos objetivos de guerra do Japão e sua crítica à modernidade ocidental. Essa associação o colocou sob escrutínio após a guerra, e ele foi temporariamente removido de seu cargo acadêmico pelas autoridades da ocupação aliada. Retornou ao seu professorado em 1952 e permaneceu em Quioto até sua aposentadoria em 1963, continuando a escrever e lecionar até a velhice.

A Religião e o Nada: A Obra Central

Shūkyō to wa nanika (A Religião e o Nada, 1961; tradução para o inglês, 1982) é sua obra-prima e uma das obras filosóficas mais importantes produzidas na Ásia no século XX. Sua questão central é: o que é a religião e por que ela permanece filosoficamente inevitável mesmo após a dissolução dos quadros religiosos tradicionais pela ciência e pela modernidade?

O Problema do Niilismo

Nishitani começa com o que considera ser a situação espiritual definidora da modernidade: o niilismo. Seguindo Nietzsche (com quem se engaja profundamente ao longo de toda a obra), ele identifica o niilismo como a condição na qual os valores tradicionais, os sentidos e o senso de identidade fundamentada do eu entraram em colapso — não meramente como teoria filosófica, mas como realidade existencial sentida na 'grande dúvida' que assombra a vida moderna. O eu que outrora se sentia assentado em Deus, na natureza ou na razão, já não encontra nenhum chão sob seus pés.

Mas a resposta de Nishitani ao niilismo não é a de Heidegger — ele não propõe o autêntico Ser-para-a-morte como solução — nem a de Nietzsche com a vontade de poder. Seu diagnóstico é que ambos permanecem no campo do ego-eu (jiko), incapazes de mover-se além do ponto de vista a partir do qual surge o niilismo.

Os Três Campos: Consciência, Nulidade e Śūnyatā

Nishitani desenvolve uma fenomenologia de três 'campos' ou pontos de vista:

  1. O campo da consciência (shiki): a consciência cotidiana ordinária, na qual o eu se coloca diante dos objetos em um dualismo sujeito-objeto. É o campo da ciência, da racionalidade ordinária e da experiência religiosa pré-niilística.

  2. O campo da nulidade (mu): o avanço niilístico no qual o chão se abre sob o eu e o objeto — a experiência da nulidade como o abismo sob todos os seres. Nishitani distingue isso da śūnyatā budista: a nulidade ainda é um chão (um abissal) experimentado da perspectiva do ego-eu. É o niilismo de Nietzsche, a Angst de Heidegger, a experiência moderna de falta de sentido.

  3. O campo da śūnyatā (vacuidade): o avanço através da nulidade a um ponto de vista no qual tanto o eu quanto as coisas são encontrados em sua 'sutileza' — não como objetos para um sujeito, mas como são em si mesmos, mutuamente interpenetrantes, sem essência ou natureza-própria fixas. Nesse nível, o ego-eu não é destruído, mas transformado: o 'eu que não é eu', que pode estar em casa no mundo precisamente porque não mais se agarra a uma identidade fixa.

Śūnyatā e Interpenetração Circuminsessional

Para Nishitani, a śūnyatā (recorrendo a Nāgārjuna e ao budismo Hua-yen) não é mero vazio no sentido niilístico, mas um 'esvaziamento' afirmativo e dinâmico — a liberação de todas as coisas em sua mútua interpenetração e em sua distinção individual simultaneamente. Ele usa o conceito de engi (originação dependente) e desenvolve a imagem da interpenetração circuminsessional (cada coisa contém todas as outras enquanto permanece distintamente ela mesma) como a estrutura ontológica revelada no campo da śūnyatā.

Ciência, Tecnologia e Resposta Budista

Nishitani foi também um importante intérprete da ciência e tecnologia modernas de uma perspectiva filosófica budista. Argumentou que a postura objetivante da ciência moderna em relação à natureza — ver as coisas como meros objetos para manipulação — é tanto uma expressão da apreensão do ego-eu quanto uma fonte da condição niilística que ela paradoxalmente gera. A resposta budista não é anticientífica, mas uma transformação da relação com as coisas — encontrando-as em sua śūnyatā em vez de como objetos de exploração.

Encontro com o Cristianismo e a Questão de Deus

Ao longo de A Religião e o Nada e de seus outros escritos (incluindo A Autossuperação do Niilismo, escrito em 1948, publicado em inglês em 1990), Nishitani se engajou extensamente com o misticismo cristão — particularmente Meister Eckhart — e com as tradições teístas de modo mais amplo. Ele argumentou que a experiência religiosa genuína em ambas as tradições budista e cristã aponta para um 'campo' além do Deus pessoal do teísmo — a Gottheit (Divindade) nos termos de Eckhart, ou a śūnyatā nos termos budistas — e que a verdadeira religião requer a travessia pela morte do Deus da metafísica teísta.

Legado

Nishitani morreu em 24 de novembro de 1990. A Religião e o Nada tornou-se uma das obras de filosofia asiática mais lidas e discutidas em contextos acadêmicos ocidentais. Seu engajamento filosófico com o niilismo é considerado uma das respostas mais profundas ao dilema da modernidade — uma resposta que toma tanto a profundidade do desafio niilístico quanto os recursos da tradição budista com igual seriedade.

Métodos

Phenomenological analysis of ontological fields — describing the distinctive structure of consciousness, nihility, and śūnyatā as modes of encountering reality Comparative philosophical-religious analysis — reading Zen, Eckhart, Nietzsche, and Heidegger alongside one another to illuminate their shared questions and divergent responses Dialectical progression — showing how each 'field' negates the previous while preserving and transforming what was genuine in it Buddhist philosophical interpretation of Western problems — applying Madhyamaka and Hua-yen concepts to diagnose and respond to distinctively modern (Western) philosophical crises

Citações Notáveis

"O niilismo não é a palavra final. É, antes, o caminho necessário pelo qual o novo campo da śūnyatā se torna acessível. Não superamos o niilismo evitando-o, mas passando por ele até o outro lado." — A Religião e o Nada
"No campo da śūnyatā, o eu é mais plenamente ele mesmo precisamente no não-ser-si-mesmo. Isso não é uma contradição, mas a estrutura da identidade genuína." — A Religião e o Nada
"A questão da religião surge quando a pergunta 'Por quê?' não tem resposta — quando perguntamos não apenas o que as coisas são, mas por que existe algo, incluindo nós mesmos." — A Religião e o Nada, Introdução
"O avanço de Eckhart para a Divindade além de Deus não é irracionalismo místico, mas o pensamento filosófico mais rigoroso do fundamento que fundamenta todos os fundamentos." — A Religião e o Nada
"No encontro com a śūnyatā, as coisas não são dissolvidas na vacuidade, mas devolvidas a si mesmas. Uma flor é mais plenamente uma flor quando encontrada no campo da vacuidade." — A Religião e o Nada

Obras Principais

  • The Self-Overcoming of Nihilism (Nihirizumu) Livro (1949)
  • Was ist Religion? (Shūkyō to wa nanika / Religion and Nothingness) Livro (1961)
  • God and Absolute Nothingness (Kami to zettai mu) Livro (1971)
  • On Buddhism (Bukkyō ni tsuite) Livro (1982)
  • Nishida Kitaro (biographical-philosophical study) Livro (1985)

Influenciado por

Fontes

  • Kitaro Nishitani, 'Religion and Nothingness' (trans. Jan Van Bragt, University of California Press, 1982)
  • Kitaro Nishitani, 'The Self-Overcoming of Nihilism' (trans. Graham Parkes and Setsuko Aihara, SUNY Press, 1990)
  • James W. Heisig, 'Philosophers of Nothingness: An Essay on the Kyoto School' (University of Hawaii Press, 2001)
  • Bret W. Davis, 'Zen After Zarathustra: The Problem of the Will in the Confrontation between Nietzsche and Buddhism' (Journal of Nietzsche Studies, 2003)
  • Jan Van Bragt, 'Translator's Introduction' to Religion and Nothingness (University of California Press, 1982)
  • Graham Parkes (ed.), 'Nietzsche and Asian Thought' (University of Chicago Press, 1991)
  • Stanford Encyclopedia of Philosophy, 'The Kyoto School'

Links Externos

Traduções

Portuguese
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Spanish
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Italian
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