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Filósofos / David Hume
Início da Modernidade

David Hume

1711 – 1776
Edinburgh, Scotland
Empirismo Ceticismo Epistemology Metaphysics Ethics Philosophy of religion Philosophy of mind Political philosophy Aesthetics Philosophy of science
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David Hume foi o maior filósofo empirista escocês e um dos pensadores mais influentes da tradição ocidental. Seu problema da indução, sua análise da causalidade como hábito da mente, sua teoria feixe do eu, sua distinção ser-dever ser e sua teoria sentimental da moral representam contribuições que permanecem vivas no debate filosófico contemporâneo. Kant declarou que Hume o despertou de seu 'sono dogmático', iniciando a revolução crítica.

Ideias Principais

Problema da indução, teoria feixe do eu, problema ser-dever, empirismo, ceticismo sobre a causalidade

Contribuições Principais

  • Formulou o problema da indução: a impossibilidade lógica de justificar racionalmente a inferência da experiência passada para expectativas futuras
  • Analisou a causalidade como produto do costume e do hábito, não de insight racional em conexões necessárias entre eventos
  • Articulou a Forquilha de Hume: a distinção entre relações de ideias (analíticas, necessárias) e questões de fato (sintéticas, contingentes), com todo o resto descartado como sofisteria
  • Desenvolveu a teoria feixe da identidade pessoal: o eu não é nada além de um feixe de percepções, sem substância subjacente
  • Formulou o problema ser-dever (Guilhotina de Hume): a lacuna lógica entre afirmações descritivas sobre o que é e afirmações normativas sobre o que deve ser
  • Argumentou que a razão é e deve ser escrava das paixões — as distinções morais são fundadas no sentimento, não na razão
  • Desenvolveu o argumento pré-moderno mais rigoroso contra os milagres, baseado na probabilidade relativa do testemunho versus a violação da lei natural
  • Demoliu o argumento do desígnio para a existência de Deus nos Diálogos sobre a Religião Natural

Questões Centrais

O que justifica nossa crença de que o futuro se assemelhará ao passado (o problema da indução)?
A causalidade é uma conexão real entre eventos, ou meramente um hábito da mente?
Há um eu substancial subjacente às nossas experiências, ou o eu é apenas um feixe de percepções?
As distinções morais podem ser derivadas da razão sozinha, ou estão fundadas no sentimento e no sentir?
A existência de Deus pode ser demonstrada racionalmente a partir da evidência do desígnio na natureza?
Quais são os limites do entendimento humano, e quais questões estão além de nosso alcance cognitivo?

Teses Principais

  • Todos os objetos da razão ou investigação humana podem naturalmente ser divididos em Relações de Ideias e Questões de Fato — e nada mais contém conhecimento genuíno
  • A inferência causal é baseada no costume e no hábito, não em insight racional sobre conexões necessárias — não podemos provar que o futuro se assemelhará ao passado
  • O eu não é nada além de um feixe ou coleção de percepções diferentes, que se sucedem com velocidade inconcebível — não há eu simples e idêntico
  • A razão é e deve ser escrava das paixões, e nunca pode pretender a qualquer outro ofício senão servir e obedecer a elas
  • Nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que a falsidade do testemunho fosse mais milagrosa do que o evento descrito
  • Não se pode derivar um 'dever' de um 'é' — conclusões morais não podem ser logicamente deduzidas de premissas puramente factuais
  • A moralidade é determinada pelo sentimento, não pela razão — aprovamos as ações virtuosas porque nos dão uma sensação de prazer
  • Toda ideia deriva de uma impressão precedente — não há ideias inatas, e ideias sem impressões correspondentes são desprovidas de sentido

Biografia

Vida Precoce e Formação

David Hume nasceu em 26 de abril de 1711 (estilo antigo), em Edimburgo, Escócia, numa família de pequena nobreza rural. Seu pai morreu quando ele tinha dois anos. Ingressou na Universidade de Edimburgo com apenas doze anos, mas saiu sem diploma, tendo descoberto que sua verdadeira paixão era a filosofia e a literatura, não o direito, que sua família destinava a ele.

Entre os dezoito e os vinte e três anos, Hume passou por um período intenso de leitura e reflexão que resultou numa espécie de crise intelectual. Em 1734, mudou-se para a França, instalando-se em La Flèche na Anjou — o mesmo colégio jesuíta onde Descartes havia estudado mais de um século antes. Lá, num período de extraordinária produtividade, compôs sua primeira e mais ambiciosa obra.

Um Tratado sobre a Natureza Humana

O Tratado sobre a Natureza Humana de Hume (1739–1740), subtitulado 'Uma tentativa de introduzir o método experimental de raciocínio nos assuntos morais', foi completado antes de ele ter trinta anos. É uma das obras filosóficas mais importantes e originais jamais escritas — e, no próprio relato de Hume, um fracasso comercial. 'Caiu morto da prensa', escreveu, 'sem alcançar tamanha distinção que excitasse mesmo um murmúrio entre os zelosos.'

Os três livros do Tratado — 'Do Entendimento', 'Das Paixões' e 'Da Moral' — desenvolveram uma filosofia naturalista abrangente. Hume levou o empirismo de Locke e Berkeley à sua conclusão lógica: se todo conhecimento deriva da experiência, então muitas de nossas crenças mais fundamentais — na causalidade, no mundo externo, no eu — não podem ser racionalmente justificadas. Elas repousam, ao invés disso, sobre o instinto natural e o hábito.

O Problema da Causalidade

A análise de Hume da causalidade é talvez o argumento mais consequente da filosofia moderna. Observamos que o evento A é regularmente seguido pelo evento B, e inferimos que A causa B. Mas o que justifica essa inferência? Não a razão — pois não há contradição lógica em supor que o futuro pudesse diferir do passado. Não a experiência — pois isso seria circular. O raciocínio causal repousa sobre o costume e o hábito: a tendência natural da mente de esperar que o futuro se assemelhe ao passado.

Obras Posteriores

Magoado pelo fracasso do Tratado, Hume reelaborou sua filosofia em forma mais acessível. A Investigação sobre o Entendimento Humano (1748) e a Investigação sobre os Princípios da Moral (1751) refinaram e aguçaram os argumentos do Tratado.

A Investigação sobre o Entendimento Humano contém o famoso argumento de Hume contra os milagres (Seção X): nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre a menos que sua falsidade fosse mais milagrosa do que o evento que descreve. Também apresenta a 'forquilha de Hume': todo conhecimento genuíno é 'relações de ideias' (matemática e lógica) ou 'questões de fato' (afirmações empíricas). Todo o resto é 'sofisteria e ilusão'.

De 1754 a 1762, Hume publicou sua monumental História da Inglaterra (seis volumes), que o tornou muito mais famoso em seu próprio tempo do que sua filosofia. Serviu como bibliotecário da Faculdade de Advocacia de Edimburgo e secretário da embaixada britânica em Paris, onde foi lionizado pelos filósofos franceses.

Diálogos sobre a Religião Natural

Os Diálogos sobre a Religião Natural de Hume, compostos ao longo de muitos anos e retidos da publicação em vida, são amplamente considerados a maior obra em filosofia da religião na língua inglesa. Por meio de uma conversa a três — Cleantes (defensor do argumento do desígnio), Demea (teólogo metafísico ortodoxo) e Fílon (o cético, geralmente considerado representativo das próprias visões de Hume) — os Diálogos desmantelam sistematicamente os argumentos da existência de Deus a partir do desígnio, da causa primeira e da necessidade.

Morte e Legado

Hume morreu em 25 de agosto de 1776, em Edimburgo, provavelmente de câncer abdominal, enfrentando a morte com compostura e bom humor. Seu amigo Adam Smith o descreveu como 'se aproximando o máximo possível da ideia de um homem perfeitamente sábio e virtuoso'.

A influência de Hume na filosofia é incalculável. Seu problema da indução, sua análise da causalidade, sua distinção ser-dever e sua teoria moral sentimental permanecem tópicos vivos na filosofia contemporânea.

Métodos

Empiricist analysis (tracing ideas to their impressions) Skeptical argumentation and the dialectic of doubt Naturalistic explanation of mental operations (associationism) Thought experiments and counterexamples Dialogue form (Dialogues Concerning Natural Religion) Historical-comparative analysis (History of England)

Citações Notáveis

"A razão é, e deve ser apenas, escrava das paixões." — Tratado sobre a Natureza Humana, II.iii.3
"Um homem sábio proporciona sua crença à evidência." — Investigação sobre o Entendimento Humano, X.1
"Seja filósofo; mas, em meio a toda a sua filosofia, continue sendo homem." — Investigação sobre o Entendimento Humano, I
"O costume é, então, o grande guia da vida humana." — Investigação sobre o Entendimento Humano, V.1
"A beleza não é uma qualidade das coisas em si mesmas: existe meramente na mente que as contempla." — Do Padrão do Gosto

Obras Principais

  • A Treatise of Human Nature Tratado (1739)
  • An Enquiry Concerning Human Understanding Tratado (1748)
  • An Enquiry Concerning the Principles of Morals Tratado (1751)
  • The History of England Livro (1754)
  • Dialogues Concerning Natural Religion Diálogo (1779)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • A Treatise of Human Nature (ed. David Fate Norton and Mary Norton, Oxford Philosophical Texts)
  • Hume: An Intellectual Biography by James Harris
  • The Cambridge Companion to Hume (ed. David Fate Norton and Jacqueline Taylor)
  • Hume's Problem of Induction by Colin Howson

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Traduções

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