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Filósofos / Guilherme de Ockham
Medieval

Guilherme de Ockham

c. 1287 – c. 1347
Ockham, Surrey, England → Oxford, England
Escolástica Metaphysics Logic Epistemology Political Philosophy Theology Philosophy of Language
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Guilherme de Ockham foi um frade franciscano inglês e um dos filósofos mais influentes do período medieval tardio. É mais conhecido pela 'Navalha de Ockham' — o princípio de que as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário —, que aplicou implacavelmente para desmantelar as elaboradas estruturas metafísicas de seus predecessores. Um nominalista convicto, argumentou que os universais são meros nomes ou conceitos sem existência fora da mente, que apenas as coisas individuais são reais e que grande parte da metafísica tradicional (incluindo a distinção real entre essência e existência) é desnecessária. Sua filosofia política, em defesa do poder secular contra a supremacia papal, influenciou teorias posteriores de direitos naturais e governo limitado.

Ideias Principais

Navalha de Ockham (parcimônia), nominalismo (os universais são apenas conceitos mentais), cognição intuitiva versus abstrata, rejeição da distinção real entre essência e existência, onipotência divina e contingência, separação entre autoridade papal e imperial, direitos individuais

Contribuições Principais

  • Sistematizou o princípio de parcimônia ('Navalha de Ockham') — um dos mais fundamentais princípios metodológicos da ciência e da filosofia
  • Desenvolveu o nominalismo medieval mais influente: os universais são conceitos mentais, não entidades reais
  • Articulou uma epistemologia empirista baseada na cognição intuitiva dos indivíduos
  • Defendeu a independência da autoridade secular frente ao poder papal — influenciando a teoria política moderna
  • Desmantelou grande parte do aparato metafísico da alta escolástica por meio da aplicação implacável da parcimônia

Questões Centrais

Os universais existem na realidade, ou são meros conceitos na mente?
Quantas entidades metafísicas são verdadeiramente necessárias para explicar o mundo?
Qual é o fundamento do conhecimento confiável — a autoridade, a razão ou a experiência?
Qual é a relação adequada entre a autoridade espiritual e a temporal?

Teses Principais

  • As entidades não devem ser multiplicadas além do necessário (Navalha de Ockham)
  • Os universais existem apenas na mente como signos naturais — apenas as coisas individuais existem na realidade
  • A distinção real entre essência e existência é desnecessária — elas são uma e a mesma coisa em qualquer indivíduo
  • A cognição intuitiva — a consciência direta de indivíduos existentes — é o fundamento do conhecimento
  • O papa não tem autoridade temporal sobre os governantes seculares
  • A onipotência de Deus significa que Ele poderia ter criado qualquer ordem possível — a ordem atual é contingente

Biografia

Vida

Guilherme de Ockham nasceu por volta de 1287 em Ockham, Surrey, Inglaterra. Ingressou jovem na Ordem Franciscana e estudou e lecionou em Oxford, onde produziu suas obras filosóficas e teológicas mais importantes, incluindo seu monumental comentário às Sentenças de Pedro Lombardo.

Em 1324, Ockham foi convocado à cúria papal em Avignon para responder a acusações de heresia relativas a certas proposições em seus escritos. Durante sua permanência em Avignon (1324–1328), envolveu-se na disputa sobre a pobreza franciscana — a questão de se a prática da pobreza absoluta da Ordem Franciscana foi endossada por Cristo e pelos Apóstolos. Quando o Papa João XXII condenou a posição franciscana, Ockham e outros líderes franciscanos fugiram de Avignon em 1328, buscando a proteção do Imperador Luís da Baviera em Munique.

Ockham passou o restante de sua vida em Munique, escrevendo prolixamente sobre filosofia política em defesa da independência da autoridade secular frente ao poder papal. Teria dito a Luís: 'Defende-me com a espada, e eu te defenderei com a pena.' Faleceu por volta de 1347, possivelmente de Peste Negra.

Nominalismo

A posição filosófica mais consequente de Ockham é seu nominalismo. Ele negou a existência real dos universais: não há nenhuma 'humanidade' existindo como entidade real além dos seres humanos individuais. Os universais são conceitos na mente (termos mentais) que significam naturalmente coisas individuais que partilham certas características. A palavra 'humano' significa Sócrates, Platão e todo outro ser humano individual, mas não existe nenhuma entidade extra 'humanidade' em que eles participem.

A Navalha de Ockham

O princípio de parcimônia atribuído a Ockham — 'Não se devem multiplicar as entidades além do necessário' (Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem) — embora não enunciado exatamente nesses termos em suas obras — capta sua prática sistemática de eliminar entidades metafísicas desnecessárias. Rejeitou a distinção real tomista entre essência e existência, a distinção formal de Scotus, a existência de universais como entidades reais e muitos outros postulados escolásticos que considerava explicativamente ociosos.

Epistemologia

Ockham desenvolveu uma epistemologia empirista centrada na cognição intuitiva — a consciência direta e imediata de uma coisa individual existente. Essa é a base de todo o conhecimento natural. A cognição abstrata (conhecimento das coisas em sua ausência) é derivada. Essa ênfase na experiência direta dos indivíduos, combinada com seu nominalismo, apontou para o empirismo moderno.

Filosofia Política

Os escritos políticos de Ockham argumentaram que a autoridade do papa é espiritual, não temporal — o papa não tem o direito de depor imperadores nem de interferir na governança secular. Defendeu os direitos dos indivíduos e das comunidades contra o poder papal absoluto, e seus argumentos contribuíram para o desenvolvimento das teorias de direitos naturais, do constitucionalismo e da separação entre Igreja e Estado.

Legado

A influência de Ockham foi enorme. Seu nominalismo dominou a filosofia medieval tardia (a via moderna, em oposição à via antiqua de Aquino e Scotus). Lutero estudou na tradição ockhamista. A ênfase na parcimônia e no empirismo influenciou o desenvolvimento da ciência moderna. Seu pensamento político contribuiu para o surgimento da teoria política secular moderna.

Métodos

Parsimony (Ockham's Razor) — systematically eliminating unnecessary posits Logical analysis of language and mental terms Nominalist reduction — explaining apparent universals through individual signification Empiricist appeal to intuitive cognition as the basis of knowledge

Citações Notáveis

"Não se devem multiplicar as entidades além do necessário." — Comentário às Sentenças
"É vão fazer com mais o que se pode fazer com menos." — Soma de toda a Lógica
"Os únicos universais estão na mente." — Soma de toda a Lógica
"Nada deve ser postulado sem uma razão, a menos que seja evidente por si mesmo, conhecido pela experiência ou provado pela autoridade da Sagrada Escritura." — Comentário às Sentenças

Obras Principais

  • Scriptum in Librum Primum Sententiarum (Commentary on the Sentences) Tratado (1319)
  • Summa Logicae (Sum of Logic) Tratado (1323)
  • Dialogus de Potestate Papae (Dialogue on Papal Power) Diálogo (1334)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • Marilyn McCord Adams, 'William Ockham' 2 vols. (University of Notre Dame Press, 1987)
  • Paul Vincent Spade (ed.), 'The Cambridge Companion to Ockham' (Cambridge UP, 1999)
  • Arthur Stephen McGrade, 'The Political Thought of William of Ockham' (Cambridge UP, 1974)
  • Claude Panaccio, 'Ockham on Concepts' (Ashgate, 2004)

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Traduções

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