Adi Shankara
Adi Shankara (Śaṅkarācārya) foi o filósofo mais influente do hinduísmo e o sistematizador do Advaita Vedanta — a escola não-dualista da filosofia indiana que sustenta que a realidade última é somente Brahman, a única consciência infinita e sem atributos, e que a aparente pluralidade e diversidade do mundo é māyā (ilusão/aparência). O self individual (ātman) não é, em última análise, distinto de Brahman: 'Tu és Isso' (tat tvam asi). Os vigorosos argumentos filosóficos de Shankara, seus comentários às principais Upanishads, aos Brahma Sutras e à Bhagavad Gita, e suas reformas institucionais (fundação de quatro ordens monásticas em toda a Índia) tornaram o Advaita Vedanta a tradição filosófica dominante no pensamento indiano.
Ideias Principais
Contribuições Principais
- ● Sistematizou o Advaita Vedanta — a escola mais influente da filosofia indiana
- ● Argumentou que somente Brahman é, em última análise, real e que o mundo da multiplicidade é māyā (aparente, não último)
- ● Demonstrou a identidade do Ātman (self individual) e de Brahman (realidade última) por meio de rigorosa argumentação filosófica
- ● Distinguiu três níveis de realidade (último, convencional, aparente) como estrutura para compreender a experiência
- ● Fundou quatro centros monásticos em toda a Índia, institucionalizando o aprendizado vedântico
- ● Escreveu comentários definitivos sobre as Upanishads, os Brahma Sutras e a Bhagavad Gita
Questões Centrais
Teses Principais
- ✓ Somente Brahman é real (satyam); o mundo é aparência (mithyā); o self (ātman) é Brahman
- ✓ O self individual não é, em última análise, diferente de Brahman — 'Tu és Isso' (tat tvam asi)
- ✓ Māyā (ignorância/superimposição) é a causa da aparente pluralidade do mundo
- ✓ A libertação não é a conquista de algo novo, mas o reconhecimento da identidade com Brahman
- ✓ O mundo possui três níveis de realidade: último (Brahman), convencional (mundo empírico) e aparente (ilusão)
Biografia
Vida
Shankara nasceu por volta de 788 d.C. em Kaladi, Kerala, sul da Índia, em uma família brâmane. Segundo os relatos tradicionais, era um prodígio que havia memorizado os Vedas aos oito anos e assumiu o voto de sannyasa (renúncia) em idade surpreendentemente jovem. Viajou por toda a Índia debatendo filósofos de escolas rivais — budistas, jainistas e outras tradições hindus — e é creditado com a restauração da autoridade da tradição védica em um momento em que o budismo ainda era poderoso na Índia.
Shankara morreu por volta de 820 d.C., com aproximadamente trinta e dois anos de idade — uma vida assombrosamente breve, dada a quantidade e qualidade de sua produção filosófica e de suas realizações institucionais.
Advaita Vedanta
O Advaita ('não-dual') Vedanta de Shankara ensina que há apenas uma realidade última: Brahman — infinito, sem atributos (nirguṇa), pura consciência. O mundo de multiplicidade e diversidade que experimentamos resulta de māyā — não 'ilusão' no sentido de completa irrealidade, mas uma superimposição (adhyāsa) causada pela ignorância (avidyā). Assim como uma corda à meia-luz é confundida com uma cobra, o único Brahman aparece como o mundo manifold devido à avidyā.
O self individual (ātman) não é, em última análise, diferente de Brahman. As grandes declarações upanishádicas (mahāvākyas) — 'Tu és Isso' (tat tvam asi), 'Eu sou Brahman' (aham brahmāsmi), 'Este Self é Brahman' (ayam ātmā brahma) — expressam essa identidade. A libertação (mokṣa) não é a conquista de algo novo, mas o reconhecimento do que sempre foi o caso: o self individual É Brahman.
Os Três Níveis de Realidade
Shankara distingue três níveis de realidade:
1. Pāramārthika (último): Somente Brahman — sem atributos, não-dual, pura consciência
2. Vyāvahārika (convencional/empírico): O mundo tal como o experimentamos — real no nível convencional, mas em última análise fundado em Brahman
3. Prātibhāsika (aparente): Ilusão completa — como ver uma cobra onde há apenas uma corda
Crítica ao Budismo
Shankara criticou vigorosamente a filosofia budista, especialmente as escolas Madhyamaka e Yogācāra, argumentando que elas não podiam explicar a continuidade da experiência e a própria possibilidade de libertação sem postular uma realidade permanente e subjacente (Brahman/Ātman). Ironicamente, o próprio sistema de Shankara foi às vezes criticado como 'cripto-budismo' por outros filósofos hindus, por causa de sua aparente semelhança com a vacuidade budista.
Legado
Shankara fundou quatro centros monásticos (maṭhas) nos quatro cantos da Índia — Sringeri (sul), Puri (leste), Dwaraka (oeste) e Joshimath (norte) — que continuam a funcionar hoje como centros de aprendizado vedântico. O Advaita Vedanta, tal como sistematizado por Shankara, tornou-se a tradição filosófica mais amplamente estudada na Índia e tem sido enormemente influente no hinduísmo moderno (Vivekananda, Ramana Maharshi e o movimento vedântico global).
Métodos
Citações Notáveis
"Somente Brahman é real; o mundo é aparência; o self não é senão Brahman" — Vivekacudamani (atribuído)
"Tu és Isso (tat tvam asi)" — Chandogya Upanishad
"O mundo, como um sonho, é verdadeiro enquanto nele se está" — Vivekacudamani (atribuído)
"Para o iluminado, tudo que existe não é senão o Self" — Atribuído a Shankara
Obras Principais
- Brahmasūtrabhāṣya (Commentary on the Brahma Sutras) Tratado (810)
- Upadeśasāhasrī (A Thousand Teachings) Tratado (810)
- Vivekacūḍāmaṇi (Crest-Jewel of Discrimination) Outro (810)
Influenciado por
- Nagarjuna · influence
Fontes
- Eliot Deutsch, 'Advaita Vedanta: A Philosophical Reconstruction' (University of Hawaii Press, 1969)
- Natalia Isayeva, 'Shankara and Indian Philosophy' (SUNY Press, 1993)
- Sengaku Mayeda (trans.), 'A Thousand Teachings: The Upadeśasāhasrī of Śaṅkara' (SUNY Press, 1992)