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Filósofos / Michel Serres
Contemporâneo

Michel Serres

1930 – 2019
Agen, France → Paris, France
Pós-estruturalismo philosophy of science epistemology ecology aesthetics philosophy of technology philosophy of culture
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Michel Serres foi um filósofo e historiador da ciência francês cuja obra eclética, poética e interdisciplinar explorou as conexões entre ciência, cultura, natureza e humanidades. Movendo-se livremente entre a matemática, a mitologia, a literatura e a ecologia, Serres argumentou que o conhecimento circula por meio de atos de tradução e que a filosofia deve ser messaggera — uma Hermes que percorre as passagens noroeste entre disciplinas que, de outra forma, permaneceriam isoladas.

Ideias Principais

Parasita, contrato natural, passagem noroeste (entre ciências e humanidades), Polegarzinha

Contribuições Principais

  • Desenvolveu uma filosofia da tradução e da interferência entre ciências, humanidades e cultura na série Hermès
  • Propôs o conceito do parasita como elemento terceiro produtivo que gera nova complexidade ao perturbar as relações binárias
  • Defendeu um 'contrato natural' que estende o contrato social para incluir a natureza como sujeito de direitos
  • Construiu pontes entre as duas culturas (ciência e humanidades) por meio de uma obra filosófica que transita fluidamente entre matemática, literatura, mitologia e ecologia
  • Desenvolveu uma filosofia da mistura e da conexão em oposição à tendência à separação disciplinar e à fixidez estrutural

Questões Centrais

Como o conhecimento circula entre as disciplinas, e que papel desempenha a tradução nesse processo?
Qual é o papel do ruído, da interferência e do parasita na produção de sentido e ordem?
O contrato social pode ser estendido para incluir a natureza como parceira e sujeito de direitos?
Como se relacionam a ciência e as humanidades, e o que se perde quando são separadas?
Como a tecnologia transforma a relação humana com a natureza, o conhecimento e os outros?

Teses Principais

  • O conhecimento circula entre as disciplinas por meio de atos de tradução que nunca são puros, mas sempre envolvem ruído e transformação
  • O parasita — o elemento terceiro que perturba as relações binárias — não é meramente destrutivo, mas gerador de nova complexidade
  • A crise ecológica exige um 'contrato natural' que torne a natureza parceira nas relações jurídicas e políticas humanas
  • A filosofia deve transitar entre a ciência e as humanidades, em vez de escolher um lado
  • A mistura, o ruído e a interferência são mais fundamentais do que a pureza, a ordem e a estrutura

Biografia

Vida e Carreira

Michel Serres nasceu em 1º de setembro de 1930, em Agen, França. Estudou na École Navale e depois na École Normale Supérieure, onde se formou em filosofia. Obteve seu doutorado em história e filosofia da ciência. Foi professor de filosofia na Universidade de Paris VIII e depois na Universidade de Stanford. Membro da Académie française desde 1990. Morreu em Paris em 1º de junho de 2019.

A Série Hermes

A série de cinco volumes Hermes (1969–1980) estabeleceu os temas centrais de Serres: tradução, comunicação, ruído e interferência como meios pelos quais o conhecimento circula entre disciplinas. Em vez de construir um sistema filosófico, Serres explorou conexões imprevistas — entre a termodinâmica e a teoria da informação, entre Zola e a física, entre a geometria e a mitologia.

O Parasita

O Parasita (1980) desenvolveu o conceito central do parasita como elemento terceiro produtivo: o parasita interrompe relações binárias, introduz ruído no sistema e por isso gera nova complexidade. Em vez de ser meramente destrutivo, o parasita é o agente da inovação e da transformação.

O Contrato Natural

O Contrato Natural (1990) argumentou que a crise ecológica exige uma extensão do contrato social para incluir a natureza como parceira e sujeito de direitos. Assim como o contrato social de Rousseau regulamentou as relações entre os seres humanos, precisamos de um 'contrato natural' que regule a relação entre a humanidade e o mundo natural.

Serres foi um pensador profundamente original cuja recusa ao confinamento disciplinar inspirou toda uma geração a atravessar as fronteiras entre as 'duas culturas'.

Métodos

interdisciplinary translation parasitology (philosophical) historical epistemology narrative philosophy ecological thinking

Citações Notáveis

"O parasita inventa algo novo. Como não come como todos os demais, constrói uma nova lógica." — O Parasita
"Perdemos o mundo. Transformamos as coisas em fetiches ou mercadorias." — O Contrato Natural
"Ensinar é navegar. Pensar é navegar." — Hermès III: La Traduction
"De volta à natureza! Isso significa: ao contrato. De natureza. O contrato natural." — O Contrato Natural

Obras Principais

  • Hermès I: La Communication Livro (1969)
  • The Parasite Livro (1980)
  • Genesis Livro (1982)
  • The Five Senses Livro (1985)
  • The Natural Contract Livro (1990)
  • Thumbelina Livro (2012)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy (entry on Serres)
  • Michel Serres: Figures of Thought (Assad, 1999)
  • A Philosophy of Mingled Bodies (Watkin, 2020)

Links Externos

Traduções

Portuguese
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Spanish
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Italian
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