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Filósofos / Pirro
Antigo

Pirro

c. 365 a.C. – c. 275 a.C. (todas as obras perdidas)
Elis, Greece
Ceticismo Epistemology Ethics Philosophy of Mind
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Pirro de Élis é a figura fundadora do ceticismo grego antigo. Após supostamente ter viajado com a expedição de Alexandre o Grande à Índia, onde pode ter encontrado ascetas indianos (gimnosofistas), Pirro desenvolveu uma postura filosófica radical: como não podemos saber como as coisas verdadeiramente são, devemos suspender o julgamento (epochē) sobre todas as questões doutrinárias e, ao fazê-lo, alcançar a ataraxia — a tranquilidade que advém de não mais sermos perturbados por crenças conflitantes. Embora Pirro nada tenha escrito e não tenha fundado nenhuma escola formal, sua influência moldou toda a tradição cética por meio de Tímon de Flio e dos posteriores pirronistas, especialmente Sexto Empírico.

Ideias Principais

Epochē (suspensão do julgamento), ataraxia (tranquilidade pela suspensão da crença), equipolência dos argumentos opostos, as aparências como guia para a vida prática, indiferença às reivindicações doutrinárias, influência da filosofia indiana

Contribuições Principais

  • Fundou a tradição cética na filosofia ocidental — a prática da suspensão sistemática do julgamento
  • Vinculou a suspensão epistemológica (epochē) à tranquilidade psicológica (ataraxia)
  • Demonstrou que um cético radical pode levar uma vida prática coerente guiada pelas aparências
  • Possivelmente serviu como condutor de ideias filosóficas indianas que entravam no mundo grego

Questões Centrais

Podemos saber como as coisas verdadeiramente são, além de como nos aparecem?
Qual é a resposta racional à força igual dos argumentos opostos?
A humildade intelectual leva à paz psicológica?

Teses Principais

  • Para cada argumento, um argumento igualmente forte pode ser dado (equipolência)
  • A resposta racional à equipolência é a suspensão do julgamento (epochē)
  • A suspensão do julgamento leva à tranquilidade (ataraxia)
  • As coisas não são mais isto do que aquilo (ou mallon) — não podemos determinar sua natureza real
  • O cético vive pelas aparências, pelos costumes e pelos impulsos naturais sem comprometimento doutrinário

Biografia

Vida

Pirro nasceu por volta de 365 a.C. em Élis, no oeste do Peloponeso. Estudou, segundo se relata, com o filósofo democritiano Anaxarco e o acompanhou na campanha de Alexandre o Grande à Índia (327–325 a.C.). Na Índia, segundo Diógenes Laércio, Pirro encontrou os gimnosofistas — filósofos ascetas nus — e possivelmente a tradição budista, que pode ter influenciado sua ênfase no desapego e na equanimidade.

Ao regressar a Élis, Pirro viveu quietamente e foi muito respeitado por seus concidadãos, que o honraram com o cargo de sumo sacerdote e isentaram os filósofos de impostos em sua homenagem. Apesar de seu radicalismo filosófico, levou uma vida doméstica convencional, ajudando, segundo se relata, sua irmã Filista nas tarefas domésticas. Morreu por volta de 275 a.C., supostamente com cerca de noventa anos.

A Postura Pirroniana

Pirro nada escreveu, e sua filosofia é conhecida principalmente pelos relatos de seu discípulo Tímon de Flio e pela sistematização posterior de Enesidemo e Sexto Empírico. A posição pirroniana central pode ser resumida em três passos:

  1. Equipolência (isostheneia): Para cada argumento ou aparência, um argumento ou aparência igualmente forte pode ser produzido.
  2. Suspensão do julgamento (epochē): Como os argumentos de ambos os lados são igualmente equilibrados, a resposta racional é suspender o julgamento — não afirmar nem negar nenhuma reivindicação doutrinária.
  3. Tranquilidade (ataraxia): A suspensão do julgamento leva a um estado de tranquilidade psicológica — a paz que advém de não mais ser perturbado por crenças conflitantes sobre o que é verdadeiro, bom ou necessário.

Uma passagem famosa de Aristocles (preservada por Eusébio) relata que o discípulo Tímon destilou o ensinamento do mestre em três perguntas: (1) Como são as coisas realmente? — Não podemos determinar isso. (2) Que atitude devemos adotar em relação a elas? — Devemos suspender o julgamento. (3) O que resultará dessa atitude? — Tranquilidade.

Vida Prática

A objeção óbvia ao ceticismo radical é que ele torna a vida prática impossível. A resposta de Pirro era que o cético pode agir com base nas aparências (phainomena), nos costumes, nas leis e nos impulsos naturais sem fazer comprometimentos teóricos sobre como as coisas realmente são. Você pode comer quando com fome, seguir as leis locais e praticar um ofício — tudo sem acreditar ter apreendido a natureza última de qualquer coisa.

Legado

A influência de Pirro foi mediada principalmente pela tradição pirroniana posterior. Enesidemo (século I a.C.) reviveu o pirronismo depois que havia ficado dormente, e Sexto Empírico (século II d.C.) o sistematizou nas Hipotiposes Pirronianas. Por meio de Sexto, o ceticismo pirroniano influenciou profundamente a filosofia moderna inicial — Montaigne, Descartes, Hume e Kant todos lidaram com argumentos céticos que remontam à tradição pirroniana.

Métodos

Opposing arguments (antithesis) to produce equipollence Suspension of judgment as philosophical practice Living by appearances (phainomena) rather than theoretical beliefs

Citações Notáveis

"Nada é na realidade mais isto do que aquilo" — Tímon de Flio, relatando Pirro
"O mel parece doce, mas se ele é doce por natureza, isso não afirmamos" — Tradição pirroniana
"Suspendemos o julgamento sobre toda questão doutrinária" — Tradição pirroniana

Influenciou

Fontes

  • Richard Bett, 'Pyrrho, His Antecedents, and His Legacy' (Oxford UP, 2000)
  • Adrian Kuzminski, 'Pyrrhonism: How the Ancient Greeks Reinvented Buddhism' (Lexington Books, 2008)
  • Diogenes Laërtius, 'Lives of the Eminent Philosophers' IX.61–108
  • Aristocles of Messene, fr. in Eusebius, 'Praeparatio Evangelica' XIV.18

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Traduções

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