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Filósofos / Parmênides de Eleia
Antigo

Parmênides de Eleia

c. 515 a.C. – c. 450 a.C.
Elea, Magna Graecia
Pré-socrático Metaphysics Ontology Epistemology Logic Cosmology
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Parmênides de Eleia é sem dúvida o filósofo pré-socrático mais importante e um dos pensadores mais consequentes de toda a tradição ocidental. Em seu poema filosófico, traçou uma distinção nítida entre o 'Caminho da Verdade' e o 'Caminho da Opinião', argumentando por lógica dedutiva rigorosa que a realidade genuína (o que-é, to eon) deve ser incriada, imperecível, íntegra, imóvel e completa. Mudança, pluralidade e vir-a-ser são impossíveis e ilusórios. Esse desafio radical obrigou todos os filósofos gregos subsequentes — Empédocles, Anaxágoras, os Atomistas, Platão, Aristóteles — a responder aos argumentos parmenídeos, tornando-o a figura central do pensamento pré-socrático.

Ideias Principais

O Caminho da Verdade versus o Caminho da Opinião, o que-é (to eon) é incriado/imperecível/íntegro/imóvel, identidade do pensar e do ser, impossibilidade do não-ser, método dedutivo em filosofia, a esfera bem-arredondada do Ser, Luz e Noite como princípios da opinião mortal

Contribuições Principais

  • Estabeleceu a argumentação dedutiva como o método da filosofia — derivando conclusões apenas de princípios lógicos
  • Primeiro filósofo a traçar uma distinção sistemática entre verdade (alētheia) e aparência/opinião (doxa)
  • Argumentou que o Ser é incriado, imperecível, íntegro, imóvel e completo — fundando a ontologia ocidental
  • Demonstrou a identidade do pensar e do ser: 'a mesma coisa é para o pensar e para o ser'
  • Colocou o desafio fundamental ao qual toda a filosofia pré-socrática e clássica respondeu
  • Introduziu o poema filosófico como gênero, combinando rigor literário e lógico

Questões Centrais

O que pode ser dito e pensado sobre o que-é (o Ser)?
O não-ser é pensável ou expressável?
Como mudança, movimento e pluralidade podem existir se requerem o não-ser?
Qual é a relação entre o pensamento racional e a realidade?

Teses Principais

  • O que-é É; o que-não-é não é — o caminho do não-ser é impensável
  • A mesma coisa é para o pensar e para o ser (to gar auto noein estin te kai einai)
  • O que-é é incriado e imperecível: nada vem do nada
  • O que-é é íntegro, contínuo e sem divisão
  • O que-é é imóvel — o movimento requer o vazio (o não-ser), que não existe
  • O que-é é completo, como uma esfera bem-arredondada
  • O mundo da experiência sensível (movimento, mudança, pluralidade) pertence à mera opinião, não à verdade

Biografia

Vida

Parmênides nasceu por volta de 515 a.C. em Eleia (atual Velia), uma colônia grega no sul da Itália. Diógenes Laércio relata que foi discípulo de Xenófanes, embora a natureza dessa relação seja incerta. Era também supostamente associado aos pitagóricos — Eleia ficava na região da Magna Grécia onde as comunidades pitagóricas floresciam — e a influência pitagórica em seu estilo matemático de argumentação é plausível. Parmênides era evidentemente um cidadão proeminente de Eleia: Espeusipo (sobrinho de Platão) relatou que ele deu leis à sua cidade, e Platão encena um encontro entre o velho Parmênides e o jovem Sócrates em Atenas (no diálogo Parmênides), embora a historicidade desse encontro seja debatida.

O Poema

Parmênides expressou sua filosofia em um poema em hexâmetros, do qual sobrevivem fragmentos significativos. O poema abre com um dramático proêmio: um jovem viaja de carruagem até os portais dos caminhos da Noite e do Dia, onde uma deusa (frequentemente identificada com Dikē, a Justiça, ou uma figura divina sem nome) o recebe e promete ensinar-lhe "o coração inabalável da verdade bem-arredondada" assim como "as opiniões dos mortais, nas quais não há confiança verdadeira".

O Caminho da Verdade

O núcleo filosófico do poema é o 'Caminho da Verdade' (alētheia). A deusa apresenta uma escolha lógica nítida: ou o que-é (to eon) É, ou ele NÃO É. O segundo caminho — que o que-é não é — é declarado completamente impensável e indizível, "pois a mesma coisa é para o pensar e para o ser" (to gar auto noein estin te kai einai). A partir desse ponto de partida, Parmênides deriva uma série de atributos do que-é por meio de argumentos dedutivos rigorosos:

Incriado: O que-é não pode ter vindo a existir. Se veio do que-é, já existia; se veio do que-não-é, algo veio do nada, o que é impossível.

Imperecível: Por raciocínio paralelo, o que-é não pode deixar de ser.

Íntegro e contínuo: O que-é não tem lacunas ou divisões, pois uma lacuna seria o que-não-é, que não existe.

Imóvel: O movimento requer espaço vazio (o que-não-é) para algo se mover, mas não há o que-não-é.

Completo e finito: O que-é é "como a massa de uma esfera bem-arredondada, equilibrada igualmente do centro em todas as direções".

O resultado é que a realidade genuína é um plenum único, imutável, indiferenciado e eterno. Todo o mundo da experiência sensível — com seu movimento, mudança, pluralidade, nascimento e morte — pertence ao 'Caminho da Opinião' e é fundamentalmente ilusório.

O Caminho da Opinião

A segunda parte do poema, muito menos bem preservada, apresentou uma cosmologia baseada em dois princípios opostos: Luz (ou Fogo) e Noite. Isso parece representar o melhor relato cosmológico possível que se pode construir usando as categorias da opinião mortal ordinária. Os estudiosos debatem se Parmênides pretendia esta seção como uma teoria física séria, um exercício dialético ou um relato cautelar de como os mortais erram.

Significado Filosófico

O impacto dos argumentos de Parmênides na filosofia subsequente não pode ser subestimado. Seu método dedutivo — partir de princípios lógicos e segui-los aonde quer que levem, independentemente de quão contraintuitivas sejam as conclusões — estabeleceu um padrão de rigor filosófico que influenciou todo o pensamento grego subsequente. Todo grande filósofo após Parmênides teve que dar conta de seu desafio:

  • Empédocles preservou o princípio parmenídeo de que nada vem do nada, mas propôs quatro elementos eternos (terra, ar, fogo, água) misturados e separados pelo Amor e pela Discórdia.
  • Anaxágoras postulou infinitas substâncias originais misturadas, com a Mente (Nous) iniciando um redemoinho de separação.
  • Leucipo e Demócrito (os Atomistas) afirmaram audaciosamente a existência do vazio (o que-não-é) ao lado dos átomos (o que-é), desafiando diretamente Parmênides.
  • Platão no Sofista engajou diretamente com a proibição parmenídea do que-não-é, argumentando que o discurso filosófico requer algum tratamento do não-ser.
  • Aristóteles desenvolveu sua distinção entre atualidade e potencialidade em parte para resolver o enigma parmenídeo de como a mudança é possível.

Legado

Parmênides morreu por volta de 450 a.C. Seu poema, embora sobrevivendo apenas em fragmentos, permanece um dos textos mais estudados na história da filosofia. Sua demonstração de que a lógica pura pode produzir conclusões radicalmente opostas ao senso comum estabeleceu uma tensão entre razão e experiência que animou a filosofia desde então. Ele é o pai da metafísica e da ontologia ocidentais no sentido estrito — o primeiro a perguntar "O que é o Ser?" e a perseguir a questão com inabalavelrigor lógico.

Métodos

Rigorous deductive logic — deriving conclusions from the principle of non-contradiction Reductio ad absurdum — showing that denying what-is leads to contradiction Radical rationalism — trusting logical argument over sense experience Philosophical poetry — using hexameter verse as a vehicle for argumentation

Citações Notáveis

"Pois a mesma coisa é para o pensar e para o ser" — Fragmento B3
"O que é, é incriado e indestrutível, único, completo, imóvel e sem fim" — Fragmento B8
"É necessário dizer e pensar que o que-é é; pois é ser, mas nada não é" — Fragmento B6
"Apenas um caminho resta para falarmos, a saber, que Ele é" — Fragmento B8
"O pensar e o pensamento de que ele é são o mesmo" — Atribuído a Parmênides

Obras Principais

  • On Nature (Peri Physeōs) Outro (480 BCE)

Influenciou

Fontes

  • A. H. Coxon, 'The Fragments of Parmenides' (revised ed., Parmenides Publishing, 2009)
  • Patricia Curd, 'The Legacy of Parmenides' (Princeton UP, 1998; repr. Parmenides Publishing, 2004)
  • G. S. Kirk, J. E. Raven, and M. Schofield, 'The Presocratic Philosophers' (Cambridge, 2nd ed., 1983), ch. 8
  • John Palmer, 'Parmenides and Presocratic Philosophy' (Oxford UP, 2009)
  • Simplicius, 'Commentary on Aristotle's Physics' (principal source for the fragments)

Links Externos

Traduções

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