Thomas Nagel
Thomas Nagel é um filósofo norte-americano cujo trabalho sobre consciência, subjetividade, filosofia moral e os limites do reducionismo o tornou uma das figuras mais importantes da filosofia analítica contemporânea. Seu ensaio 'Como É Ser um Morcego?' lançou um dos desafios definidores às teorias materialistas da mente, e seu programa filosófico mais amplo insiste na irredutibilidade do ponto de vista subjetivo tanto na epistemologia quanto na ética.
Ideias Principais
Contribuições Principais
- ● Argumentou que a consciência tem um caráter subjetivo irredutível — há 'algo que é ser' um organismo consciente — que o reducionismo materialista não pode capturar
- ● Lançou o argumento do morcego como um desafio definidor às teorias fisicalistas da mente
- ● Articulou a tensão entre o ponto de vista objetivo 'de lugar nenhum' e a perspectiva subjetiva da experiência vivida
- ● Defendeu o objetivismo moral, argumentando que a realidade das outras pessoas gera razões para a ação altruísta
- ● Desafiou a adequação do neo-darwinismo materialista para explicar a consciência, a razão e o valor
- ● Explorou o conceito de sorte moral e o absurdo da existência humana
Questões Centrais
Teses Principais
- ✓ A consciência tem um caráter subjetivo irredutível que não pode ser captado por nenhuma quantidade de descrição objetiva de terceira pessoa
- ✓ Há algo que é ser um morcego, e essa experiência subjetiva não é redutível à descrição neurofisiológica
- ✓ O 'ponto de vista de lugar nenhum' — a aspiração a um relato puramente objetivo da realidade — não pode eliminar a perspectiva subjetiva
- ✓ A concepção neo-darwiniana materialista da natureza é inadequada para explicar o surgimento da consciência, da razão e do valor
- ✓ O objetivismo moral é defensável: a realidade das outras pessoas gera razões de ação neutras em relação ao agente
- ✓ O absurdo da vida surge da colisão entre a seriedade com que tomamos nossas vidas e a perspectiva objetiva a partir da qual elas parecem arbitrárias
Biografia
Vida e Formação
Thomas Nagel nasceu em 4 de julho de 1937, em Belgrado, Iugoslávia (hoje Sérvia), numa família judaico-alemã que emigrou para os Estados Unidos. Estudou na Cornell University, em Oxford (como bolsista Fulbright, onde estudou com J.L. Austin e H.P. Grice) e em Harvard, onde obteve seu Ph.D. em 1963 sob orientação de John Rawls.
Filosofia da Mente: Subjetividade e Consciência
A contribuição mais famosa de Nagel é 'Como É Ser um Morcego?' (1974), que argumentou que a consciência envolve um caráter subjetivo irredutível — que para qualquer organismo consciente, há algo que é ser aquele organismo, um ponto de vista subjetivo que não pode ser captado pela descrição científica objetiva de terceira pessoa.
O Ponto de Vista de Lugar Nenhum (1986) desenvolveu esse tema num programa filosófico mais amplo. Nagel argumentou que há uma tensão fundamental entre o ponto de vista objetivo, 'de lugar nenhum', ao qual a ciência aspira, e a perspectiva subjetiva de primeira pessoa a partir da qual vivemos, agimos e experienciamos.
Ética e Filosofia Política
A Possibilidade do Altruísmo (1970) argumentou que reconhecer a realidade das outras pessoas e seus interesses gera razões para a ação independentes dos próprios desejos. Questões Mortais (1979) coletou ensaios influentes sobre a morte, o absurdo, a sorte moral, a perversão sexual e a guerra.
Mente e Cosmos (2012)
Mente e Cosmos (2012) foi a obra mais controversa de Nagel. Ele argumentou que o relato materialista e reducionista da natureza — segundo o qual a consciência, a razão e o valor podem ser plenamente explicados pela física, pela química e pela evolução darwiniana — é inadequado. Nagel não endossou o teísmo nem o design inteligente, mas pediu um naturalismo mais amplo que inclua princípios teleológicos.
Nagel é Professor Universitário de Filosofia e Direito na Universidade de Nova York desde 1980.
Métodos
Citações Notáveis
"Fundamentalmente, um organismo tem estados mentais conscientes se e somente se há algo que é ser aquele organismo." — Como É Ser um Morcego? (1974)
"A subjetividade da consciência é um traço irredutível da realidade — sem o qual não poderíamos fazer física nem qualquer outra coisa." — O Ponto de Vista de Lugar Nenhum (1986)
"O absurdo surge da colisão entre a seriedade com que tomamos nossas vidas e a possibilidade permanente de considerar tudo aquilo que levamos a sério como arbitrário." — Questões Mortais, 'O Absurdo' (1979)
"Quero que o ateísmo seja verdadeiro e fico perturbado pelo fato de que algumas das pessoas mais inteligentes e bem informadas que conheço são crentes religiosos." — A Última Palavra (1997)
Obras Principais
- The Possibility of Altruism Livro (1970)
- What Is It Like to Be a Bat? Ensaio (1974)
- Mortal Questions Livro (1979)
- The View from Nowhere Livro (1986)
- Equality and Partiality Livro (1991)
- The Last Word Livro (1997)
- Mind and Cosmos Livro (2012)
Influenciado por
- Ludwig Wittgenstein · Influência Intelectual
- Daniel Dennett · Contemporâneo/Par
Fontes
- Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Thomas Nagel (Brogaard, 2016)
- The View from Nowhere (reviews and critical responses)
- Mind and Cosmos (critical symposia)