Skip to content
Filósofos / Bruno Latour
Contemporâneo

Bruno Latour

1947 – 2022
Beaune, France → Paris, France
Pós-estruturalismo philosophy of science social theory political philosophy ecology philosophy of technology epistemology
Copied!

Bruno Latour foi um filósofo, antropólogo da ciência e teórico social francês cuja teoria ator-rede (ANT) e crítica da divisão natureza-cultura transformaram a sociologia da ciência, a filosofia da tecnologia e o pensamento ambiental. Ao insistir que atores não-humanos — micróbios, instrumentos, textos, tecnologias — são participantes plenos das redes que constituem o conhecimento científico e a realidade social, Latour desafiou tanto o construtivismo social das humanidades quanto o realismo ingênuo das ciências naturais.

Ideias Principais

Teoria ator-rede, parlamento das coisas, jamais fomos modernos, modos de existência

Contribuições Principais

  • Codesenvolveu a teoria ator-rede (ANT), tratando a ciência e a sociedade como constituídas por redes heterogêneas de actantes humanos e não-humanos
  • Argumentou que jamais fomos modernos — a separação estrita de natureza e cultura jamais foi alcançada na prática
  • Realizou estudos etnográficos pioneiros de laboratórios científicos, mostrando como os fatos científicos são construídos por redes de atores e instrumentos
  • Propôs uma ecologia política que abandona a divisão natureza/cultura em favor de reunir humanos e não-humanos em um mundo comum
  • Aplicou seu quadro filosófico à crise ecológica, defendendo Gaia como agente ativo que demanda resposta política

Questões Centrais

Os fatos científicos são descobertos ou construídos, e pode-se superar essa dicotomia?
O que acontece quando tratamos entidades não-humanas (micróbios, instrumentos, tecnologias) como participantes plenos de redes sociais?
A separação moderna de natureza e cultura foi alguma vez alcançada e quais são as consequências de seu fracasso?
Como a política deve ser reorganizada diante da crise ecológica?
Qual é o papel da tradução, mediação e hibridismo na produção do conhecimento?

Teses Principais

  • Jamais fomos modernos: a separação estrita de natureza e cultura, sujeito e objeto, jamais foi alcançada na prática
  • Atores não-humanos (micróbios, instrumentos, textos) são participantes plenos das redes que constituem o conhecimento científico e a realidade social
  • Os fatos científicos não são descobertos, mas construídos por meio do recrutamento de aliados — humanos e não-humanos — em redes em expansão
  • A proliferação de híbridos (buracos na camada de ozônio, OGMs, IA) mostra a falência da constituição moderna que separa natureza de sociedade
  • A crise ecológica demanda uma nova política na qual a Terra (Gaia) seja tratada como agente ativo, e não como pano de fundo passivo
  • A 'purificação' moderna de natureza e cultura na verdade produz mais híbridos, e não menos

Biografia

Vida Inicial e Formação

Bruno Latour nasceu em 22 de junho de 1947, em Beaune, Borgonha, França, em uma proeminente família de produtores de vinho. Estudou filosofia e teologia antes de se voltar para a antropologia da ciência. Seu trabalho de campo na Costa do Marfim e no Instituto Salk, em San Diego, na década de 1970, definiu o curso de sua carreira.

A Vida de Laboratório (1979)

A Vida de Laboratório: A Construção Social dos Fatos Científicos (1979, com Steve Woolgar) foi um texto fundacional dos estudos de ciência. Baseado em pesquisa etnográfica no laboratório de neuroendocrinologia de Jonas Salk, o livro tratou o laboratório como um sítio antropológico, observando como os fatos científicos são construídos por meio da interação de cientistas, instrumentos, inscrições e negociações institucionais.

Teoria Ator-Rede

Latour, junto com Michel Callon e John Law, desenvolveu a teoria ator-rede (ANT) — um quadro que trata a ciência e a sociedade como constituídas por redes heterogêneas de "actantes" humanos e não-humanos. Na ANT, não há distinção fundamental entre o social e o natural, o humano e o técnico; todos estão entrelaçados em redes de associações. Um fato científico, uma tecnologia ou uma instituição se estabiliza quando consegue recrutar uma rede suficientemente ampla de aliados — humanos e não-humanos.

A Pasteurização da França (1984) ilustrou a ANT por meio do caso de Louis Pasteur, mostrando como a 'descoberta' dos micróbios foi simultaneamente uma reorganização da sociedade francesa — hospitais, fazendas, práticas de higiene — alcançada não por Pasteur sozinho, mas por uma rede em expansão de atores que incluía micróbios, médicos, políticos e instrumentos de laboratório.

Jamais Fomos Modernos (1991)

A obra filosoficamente mais ambiciosa de Latour, Jamais Fomos Modernos (1991), argumentou que a premissa fundamental da modernidade — a separação estrita de natureza e cultura, objeto e sujeito, ciência e política — jamais foi de fato alcançada. Na prática, a modernidade prolifera híbridos (buracos na camada de ozônio, embriões congelados, inteligência artificial) que são simultaneamente naturais e culturais, científicos e políticos. A 'constituição moderna' purifica esses híbridos em domínios separados (natureza versus sociedade) enquanto simultaneamente produz mais deles.

Obra Posterior: Política da Natureza e Gaia

Políticas da Natureza (2004) propôs uma nova ecologia política que abandona a separação modernista de natureza (representada pelos cientistas) e sociedade (representada pelos políticos) em favor de um processo coletivo no qual humanos e não-humanos são reunidos em um mundo comum.

O projeto final de Latour concentrou-se na crise ecológica. Diante de Gaia (2017) e Onde Pousar? (2018) argumentaram que a crise climática exige uma reconfiguração fundamental da política, da ciência e da relação humana com a Terra. Apoiando-se na hipótese Gaia de James Lovelock, Latour propôs que entendamos a Terra não como pano de fundo passivo, mas como agente ativo — Gaia — cujas reações à ação humana não podem mais ser ignoradas.

Latour lecionou no Centre de Sociologie de l'Innovation da Mines ParisTech e, posteriormente, na Sciences Po Paris. Faleceu em 9 de outubro de 2022, em Paris.

Métodos

actor-network analysis laboratory ethnography symmetrical anthropology translation analysis political ecology

Citações Notáveis

"Jamais fomos modernos." — Jamais Fomos Modernos
"Dê-me um laboratório e moverei o mundo." — Ciência em Ação
"Nada é, em si mesmo, redutível ou irredutível a qualquer outra coisa." — A Pasteurização da França
"O buraco na camada de ozônio é social e narrado demais para ser verdadeiramente natural; a estratégia das empresas industriais e dos chefes de Estado é repleta demais de reações químicas para ser reduzida a poder e interesse." — Jamais Fomos Modernos

Obras Principais

  • Laboratory Life Livro (1979)
  • The Pasteurization of France Livro (1984)
  • Science in Action Livro (1987)
  • We Have Never Been Modern Livro (1991)
  • Politics of Nature Livro (2004)
  • Reassembling the Social Livro (2005)
  • Facing Gaia Livro (2017)
  • Down to Earth Livro (2018)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy (entry on science and society)
  • Bruno Latour: Reassembling the Political (Harman, 2014)
  • Bruno Latour in Pieces (Harman, 2020)

Links Externos

Traduções

Portuguese
100%
Spanish
100%
Italian
100%

Comparar:
Comparar

Comparar com...

Busque um filósofo para comparar com

Comparar