Skip to content
Filósofos / Judith Butler
Contemporâneo

Judith Butler

1956 – ?
Cleveland, Ohio → Berkeley, California
Teoria Crítica Feminismo Pós-estruturalismo ethics political philosophy philosophy of gender social theory philosophy of language phenomenology
Copied!

Judith Butler é uma filósofa e teórica de gênero americana cujo conceito de performatividade de gênero revolucionou a teoria feminista, a teoria queer e a compreensão mais ampla da identidade. Sua obra, recorrendo à teoria dos atos de fala, à fenomenologia, à psicanálise e ao pós-estruturalismo, argumenta que o gênero não é um dado natural nem uma essência interior, mas uma performance repetida constituída por atos culturalmente regulados. Butler também realizou grandes contribuições à filosofia política, à ética e às teorias da vulnerabilidade, da precariedade e da não-violência.

Ideias Principais

Performatividade de gênero, matriz heteronormativa, vida precária, passibilidade de lamento, subversão

Contribuições Principais

  • Desenvolveu a teoria da performatividade de gênero: o gênero é constituído por performances repetidas e reguladas, e não expressa uma identidade pré-dada
  • Desafiou a distinção sexo/gênero, argumentando que o sexo biológico é ele próprio discursivamente produzido e generificado
  • Analisou as condições sob as quais certas vidas são tornadas 'passíveis de lamento' e outras não, desenvolvendo uma política da precariedade
  • Aplicou a teoria da performatividade ao discurso de ódio, argumentando que a iterabilidade da fala permite tanto o dano quanto a resignificação subversiva
  • Desenvolveu uma ética da responsabilidade fundada na opacidade constitutiva e na vulnerabilidade do eu
  • Argumentou pela não-violência como prática ética ativa enraizada no reconhecimento da interdependência e da vulnerabilidade compartilhada

Questões Centrais

O que constitui a identidade de gênero — é a expressão de uma essência pré-dada ou uma realização performativa?
O sexo biológico é um terreno neutro para o gênero, ou é ele próprio discursivamente produzido?
Quais vidas contam como 'passíveis de lamento' nos quadros políticos contemporâneos, e como as demais são tornadas invisíveis?
Como podemos dar conta de nós mesmos quando nossa formação excede nossa capacidade de autoconhecimento?
Quais são as possibilidades políticas da subversão performativa e da resignificação?
Como a não-violência pode ser compreendida como uma prática ética e política ativa?

Teses Principais

  • O gênero é performativamente constituído pela estilização repetida do corpo dentro de um quadro regulatório — não há identidade de gênero por trás das expressões de gênero
  • O sexo biológico não é um fato natural pré-discursivo, mas é produzido pelas mesmas normas regulatórias que produzem o gênero
  • A performatividade não é voluntarismo: é uma repetição compulsória de normas, mas a necessidade de repetição abre a possibilidade de subversão
  • O sujeito é constituído por poder e normas que o precedem; a agência reside não na autodeterminação soberana, mas na capacidade de retrabalhar as normas que o constituem
  • A precariedade é distribuída de forma desigual: certas vidas são sistematicamente tornadas não passíveis de lamento por quadros políticos e midiáticos
  • A não-violência é uma prática ética enraizada no reconhecimento de que todas as vidas são interdependentes e mutuamente vulneráveis

Biografia

Vida Precoce e Formação

Judith Pamela Butler nasceu em 24 de fevereiro de 1956, em Cleveland, Ohio, numa família de ascendência judaica húngara e russa. Butler estudou filosofia no Bennington College e na Universidade de Yale, onde obteve seu PhD em 1984 com uma dissertação sobre a recepção de Hegel na filosofia francesa do século XX, publicada como Sujeitos do Desejo: Reflexões Hegelianas na França do Século XX (1987).

Problemas de Gênero (1990)

Problemas de Gênero: Feminismo e a Subversão da Identidade (1990) é um dos textos mais influentes das humanidades desde sua publicação. Butler desafiou o pressuposto fundamental compartilhado por grande parte da teoria feminista: que existe uma categoria estável de "mulheres" que o feminismo representa. Recorrendo à análise foucaultiana de como os regimes discursivos produzem os sujeitos que afirmam representar, e numa leitura criativa de Beauvoir, Lacan e Freud, Butler argumentou que o gênero não é a expressão cultural de um sexo biológico pré-dado, mas é ele próprio uma ficção regulatória — um conjunto de performances repetidas e estilizadas que criam a ilusão de uma identidade de gênero estável.

O conceito de performatividade de gênero não significa que o gênero é uma performance teatral deliberada que se pode escolher ou remover livremente. É, antes, uma repetição compulsória de normas que constitui o sujeito que aparenta expressar.

Corpos que Importam e Discurso Excitável

Corpos que Importam: Sobre os Limites Discursivos do "Sexo" (1993) respondeu a críticos que acusavam Butler de desmaterializar o corpo. Butler esclareceu que a performatividade não é voluntarismo.

Discurso Excitável: Uma Política do Performativo (1997) aplicou a teoria da performatividade aos debates sobre discurso de ódio e censura, argumentando que o poder injurioso da fala está relacionado à sua iterabilidade.

Ética e Filosofia Política

Na década de 2000, o trabalho de Butler voltou-se para a ética e a teoria política. Vida Precária (2004) e Quadros de Guerra (2009) analisaram como certas vidas são tornadas 'passíveis de lamento' enquanto outras não são.

Dar Conta de Si Mesmo (2005) desenvolveu uma ética da responsabilidade fundada na opacidade constitutiva do eu.

A Força da Não-Violência (2020) argumentou que a não-violência não é passividade, mas uma prática ética e política ativa enraizada no reconhecimento da vulnerabilidade mútua e da interdependência.

Butler é Professora Maxine Elliot no Departamento de Literatura Comparada da UC Berkeley e detém a Cátedra Hannah Arendt na European Graduate School.

Métodos

performativity analysis genealogical critique discourse analysis phenomenological description psychoanalytic theory close reading

Citações Notáveis

"Não há identidade de gênero por trás das expressões de gênero; essa identidade é performativamente constituída pelas próprias 'expressões' que se diz serem seus resultados." — Problemas de Gênero: Feminismo e a Subversão da Identidade
"Se o caráter imutável do sexo é contestado, talvez esse constructo chamado 'sexo' seja tão culturalmente construído quanto o gênero." — Problemas de Gênero
"A questão de quem e o que é considerado real e verdadeiro é uma questão aparentemente filosófica que é também uma questão de poder." — Desfazendo o Gênero
"Encaremos os fatos. Somos desfeitos uns pelos outros. E se não somos, estamos perdendo algo." — Vida Precária

Obras Principais

  • Gender Trouble Livro (1990)
  • Bodies That Matter Livro (1993)
  • Excitable Speech Livro (1997)
  • The Psychic Life of Power Livro (1997)
  • Precarious Life Livro (2004)
  • Giving an Account of Oneself Livro (2005)
  • Frames of War Livro (2009)
  • The Force of Nonviolence Livro (2020)

Influenciado por

Fontes

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy (entry on performativity)
  • The Cambridge Companion to Feminist Philosophy (Fricker & Hornsby, 2000)
  • Understanding Judith Butler (Salih, 2002)
  • Judith Butler and Political Theory (Lloyd, 2007)

Links Externos

Traduções

Portuguese
100%
Spanish
100%
Italian
100%

Comparar:
Comparar

Comparar com...

Busque um filósofo para comparar com

Comparar