Skip to content
Filósofos / Francis Bacon
Início da Modernidade

Francis Bacon

1561 – 1626
London, England
Empirismo Epistemology Philosophy of science Political philosophy Ethics Philosophy of language Utopian thought
Copied!

Francis Bacon, 1.º Visconde de St Alban, foi um filósofo, estadista e ensaísta inglês amplamente considerado o pai do empirismo e do método científico moderno. Seu ambicioso programa de reforma do conhecimento humano — substituindo a lógica dedutiva estéril do escolasticismo aristotélico por um método indutivo sistemático fundado na observação e no experimento — lançou as bases intelectuais da Revolução Científica e moldou profundamente a visão iluminista de progresso pelo domínio da natureza.

Ideias Principais

Método científico, ídolos da mente, raciocínio indutivo, conhecimento é poder

Contribuições Principais

  • Articulou o programa da Grande Instauração — uma reforma abrangente do conhecimento humano baseada no método indutivo e na observação empírica
  • Desenvolveu a doutrina dos Ídolos da Mente, identificando quatro fontes sistemáticas de erro cognitivo (da Tribo, da Caverna, do Mercado, do Teatro)
  • Formulou uma nova lógica indutiva (apresentada no Novum Organum) para substituir a dedução silogística aristotélica como método de investigação científica
  • Propôs uma nova classificação das ciências baseada nas três faculdades da memória, imaginação e razão (história, poesia, filosofia)
  • Concebeu a Casa de Salomão em A Nova Atlântida — uma instituição de pesquisa financiada pelo Estado que prefigurou a universidade de pesquisa e a academia científica modernas
  • Defendeu a ideia de que o conhecimento deve servir à utilidade humana — 'conhecimento é poder' para o alívio da condição do homem
  • Inaugurou a forma do ensaio na literatura inglesa com seus Ensaios (1597–1625)
  • Distinguiu entre o 'contexto de descoberta' e o que seria chamado posteriormente de 'contexto de justificação' na ciência

Questões Centrais

Por que o conhecimento humano progrediu tão pouco, e como seu avanço pode ser sistematicamente organizado?
Quais são as fontes de erro no entendimento humano, e como podem ser identificadas e corrigidas?
Que método de investigação pode produzir de modo confiável novo conhecimento da natureza?
Como as ciências devem ser classificadas e relacionadas entre si?
Qual é a relação adequada entre conhecimento e poder, ciência e bem-estar humano?
Podem os seres humanos alcançar o domínio da natureza por meio da investigação sistemática?

Teses Principais

  • Conhecimento é poder — o objetivo da ciência não é a contemplação, mas o comando sobre a natureza em benefício humano
  • A lógica dedutiva aristotélica é estéril; apenas a indução sistemática a partir de particulares cuidadosamente observados pode gerar conhecimento genuíno da natureza
  • O entendimento humano é assediado por quatro classes de Ídolos (vieses cognitivos) que devem ser identificados e superados antes que o verdadeiro conhecimento seja possível
  • A ciência deve avançar por esforço organizado e colaborativo — não pelo gênio individual trabalhando em isolamento
  • A natureza, para ser comandada, deve ser obedecida — o conhecimento das leis naturais é a precondição do domínio tecnológico
  • Os antigos eram na verdade a juventude do mundo; os modernos, apoiados na experiência acumulada, são os verdadeiros anciãos

Biografia

Vida Precoce e Formação

Francis Bacon nasceu em 22 de janeiro de 1561, na York House, em Londres, filho mais novo de Sir Nicholas Bacon, Guardião do Grande Selo sob Elizabeth I, e Ann Cooke, mulher erudita que traduzia obras do italiano e do latim. Aos doze anos, ingressou no Trinity College, Cambridge, onde desenvolveu uma insatisfação duradoura com a filosofia aristotélica que dominava o currículo.

Em 1576, Bacon integrou a embaixada inglesa na França, recebendo uma formação decisiva em diplomacia e arte de Estado. A morte repentina de seu pai em 1579 deixou-o com pouca herança, e ele voltou-se para o direito, ingressando no Gray's Inn e sendo admitido à advocacia em 1582.

Carreira Política

As ambições políticas de Bacon eram enormes e persistentes. Entrou no Parlamento em 1584 e passou décadas buscando ascensão, inicialmente sob o patrocínio do Conde de Essex (cuja execução em 1601 apoiou de modo controverso como um dos conselheiros da Rainha). Sob Jaime I, a carreira de Bacon finalmente ascendeu: tornou-se Procurador-Geral da Coroa (1607), Procurador-Geral (1613), Guardião do Grande Selo (1617) e Lord Chanceler (1618), recebendo o título de Visconde de St Alban.

A queda foi dramática. Em 1621, Bacon foi acusado de aceitar subornos em sua função de juiz. Declarou-se culpado, foi multado, brevemente encarcerado na Torre de Londres e permanentemente impedido de exercer cargos públicos. Embora insistisse que os presentes não haviam influenciado seus julgamentos, a condenação encerrou sua carreira política e o deixou para dedicar os anos restantes inteiramente ao seu projeto filosófico.

A Grande Instauração

A ambição filosófica de Bacon não era nada menos do que uma renovação completa do saber humano — o que ele chamou de Instauratio Magna (Grande Instauração). Planejou-a como uma obra em seis partes, das quais completou ou completou parcialmente algumas:

The Advancement of Learning (1605, ampliado para o latino De Augmentis Scientiarum em 1623) mapeou todo o horizonte do conhecimento humano, identificando lacunas e propondo uma nova classificação das ciências. O Novum Organum (1620) — 'O Novo Instrumento', deliberadamente intitulado contra o Organon de Aristóteles — apresentou seu novo método indutivo. A Nova Atlântida (1627, póstuma) imaginou uma sociedade utópica organizada em torno de uma instituição de pesquisa (a Casa de Salomão) dedicada à investigação sistemática da natureza.

Os Ídolos da Mente

A contribuição mais célebre de Bacon à epistemologia é sua doutrina dos 'Ídolos' — fontes sistemáticas de erro que distorcem o entendimento humano. Os Ídolos da Tribo decorrem de limitações inerentes à própria natureza humana, como a tendência a perceber mais ordem na natureza do que realmente existe. Os Ídolos da Caverna são preconceitos individuais que surgem da educação, temperamento e experiência particulares de cada pessoa. Os Ídolos do Mercado derivam da influência enganosa da linguagem e das opiniões correntes. Os Ídolos do Teatro são os sistemas filosóficos dogmáticos que, como peças teatrais, apresentam mundos elaborados, porém fictícios.

Morte e Legado

Bacon morreu em 9 de abril de 1626, ao que se diz de pneumonia contraída enquanto experimentava os efeitos conservantes da neve sobre a carne — um fim adequado, ainda que talvez apócrifo, para um campeão da investigação empírica. Sua influência no desenvolvimento da ciência e da filosofia modernas foi imensa. A Royal Society, fundada em 1660, reconheceu explicitamente Bacon como seu ancestral intelectual. Sua visão de pesquisa organizada, colaborativa e fundada em experimentos tornou-se o modelo das instituições científicas modernas.

Métodos

Eliminative induction (method of exclusion) Systematic observation and experiment Taxonomic classification of phenomena ('tables of discovery') Critique and diagnosis of cognitive error (doctrine of Idols) Aphoristic and literary exposition

Citações Notáveis

"Conhecimento é poder." — Meditationes Sacrae (adaptado: 'ipsa scientia potestas est')
"A natureza, para ser comandada, deve ser obedecida." — Novum Organum, I.3
"A verdade é filha do tempo, não da autoridade." — Novum Organum, I.84
"Um pouco de filosofia inclina o espírito do homem ao ateísmo; mas a profundidade na filosofia conduz as mentes de volta à religião." — Ensaios, 'Do Ateísmo'
"Não leia para contradizer e refutar; nem para crer e tomar por certo; nem para encontrar assunto de conversa; mas para ponderar e considerar." — Ensaios, 'Do Estudo'

Obras Principais

  • The Advancement of Learning Tratado (1605)
  • Novum Organum Tratado (1620)
  • The Great Instauration Tratado (1620)
  • Essays Ensaio (1625)
  • New Atlantis Livro (1627)

Influenciou

Influenciado por

Fontes

  • Francis Bacon: The History of a Character Assassination by Nieves Mathews
  • Francis Bacon: The Logic of Sensation by Gilles Deleuze
  • The Cambridge Companion to Bacon (ed. Markku Peltonen)
  • Francis Bacon and the Transformation of Early-Modern Philosophy by Stephen Gaukroger

Links Externos

Traduções

Portuguese
100%
Spanish
100%
Italian
100%

Comparar:
Comparar

Comparar com...

Busque um filósofo para comparar com

Comparar