Francis Bacon
Francis Bacon, 1.º Visconde de St Alban, foi um filósofo, estadista e ensaísta inglês amplamente considerado o pai do empirismo e do método científico moderno. Seu ambicioso programa de reforma do conhecimento humano — substituindo a lógica dedutiva estéril do escolasticismo aristotélico por um método indutivo sistemático fundado na observação e no experimento — lançou as bases intelectuais da Revolução Científica e moldou profundamente a visão iluminista de progresso pelo domínio da natureza.
Ideias Principais
Contribuições Principais
- ● Articulou o programa da Grande Instauração — uma reforma abrangente do conhecimento humano baseada no método indutivo e na observação empírica
- ● Desenvolveu a doutrina dos Ídolos da Mente, identificando quatro fontes sistemáticas de erro cognitivo (da Tribo, da Caverna, do Mercado, do Teatro)
- ● Formulou uma nova lógica indutiva (apresentada no Novum Organum) para substituir a dedução silogística aristotélica como método de investigação científica
- ● Propôs uma nova classificação das ciências baseada nas três faculdades da memória, imaginação e razão (história, poesia, filosofia)
- ● Concebeu a Casa de Salomão em A Nova Atlântida — uma instituição de pesquisa financiada pelo Estado que prefigurou a universidade de pesquisa e a academia científica modernas
- ● Defendeu a ideia de que o conhecimento deve servir à utilidade humana — 'conhecimento é poder' para o alívio da condição do homem
- ● Inaugurou a forma do ensaio na literatura inglesa com seus Ensaios (1597–1625)
- ● Distinguiu entre o 'contexto de descoberta' e o que seria chamado posteriormente de 'contexto de justificação' na ciência
Questões Centrais
Teses Principais
- ✓ Conhecimento é poder — o objetivo da ciência não é a contemplação, mas o comando sobre a natureza em benefício humano
- ✓ A lógica dedutiva aristotélica é estéril; apenas a indução sistemática a partir de particulares cuidadosamente observados pode gerar conhecimento genuíno da natureza
- ✓ O entendimento humano é assediado por quatro classes de Ídolos (vieses cognitivos) que devem ser identificados e superados antes que o verdadeiro conhecimento seja possível
- ✓ A ciência deve avançar por esforço organizado e colaborativo — não pelo gênio individual trabalhando em isolamento
- ✓ A natureza, para ser comandada, deve ser obedecida — o conhecimento das leis naturais é a precondição do domínio tecnológico
- ✓ Os antigos eram na verdade a juventude do mundo; os modernos, apoiados na experiência acumulada, são os verdadeiros anciãos
Biografia
Vida Precoce e Formação
Francis Bacon nasceu em 22 de janeiro de 1561, na York House, em Londres, filho mais novo de Sir Nicholas Bacon, Guardião do Grande Selo sob Elizabeth I, e Ann Cooke, mulher erudita que traduzia obras do italiano e do latim. Aos doze anos, ingressou no Trinity College, Cambridge, onde desenvolveu uma insatisfação duradoura com a filosofia aristotélica que dominava o currículo.
Em 1576, Bacon integrou a embaixada inglesa na França, recebendo uma formação decisiva em diplomacia e arte de Estado. A morte repentina de seu pai em 1579 deixou-o com pouca herança, e ele voltou-se para o direito, ingressando no Gray's Inn e sendo admitido à advocacia em 1582.
Carreira Política
As ambições políticas de Bacon eram enormes e persistentes. Entrou no Parlamento em 1584 e passou décadas buscando ascensão, inicialmente sob o patrocínio do Conde de Essex (cuja execução em 1601 apoiou de modo controverso como um dos conselheiros da Rainha). Sob Jaime I, a carreira de Bacon finalmente ascendeu: tornou-se Procurador-Geral da Coroa (1607), Procurador-Geral (1613), Guardião do Grande Selo (1617) e Lord Chanceler (1618), recebendo o título de Visconde de St Alban.
A queda foi dramática. Em 1621, Bacon foi acusado de aceitar subornos em sua função de juiz. Declarou-se culpado, foi multado, brevemente encarcerado na Torre de Londres e permanentemente impedido de exercer cargos públicos. Embora insistisse que os presentes não haviam influenciado seus julgamentos, a condenação encerrou sua carreira política e o deixou para dedicar os anos restantes inteiramente ao seu projeto filosófico.
A Grande Instauração
A ambição filosófica de Bacon não era nada menos do que uma renovação completa do saber humano — o que ele chamou de Instauratio Magna (Grande Instauração). Planejou-a como uma obra em seis partes, das quais completou ou completou parcialmente algumas:
The Advancement of Learning (1605, ampliado para o latino De Augmentis Scientiarum em 1623) mapeou todo o horizonte do conhecimento humano, identificando lacunas e propondo uma nova classificação das ciências. O Novum Organum (1620) — 'O Novo Instrumento', deliberadamente intitulado contra o Organon de Aristóteles — apresentou seu novo método indutivo. A Nova Atlântida (1627, póstuma) imaginou uma sociedade utópica organizada em torno de uma instituição de pesquisa (a Casa de Salomão) dedicada à investigação sistemática da natureza.
Os Ídolos da Mente
A contribuição mais célebre de Bacon à epistemologia é sua doutrina dos 'Ídolos' — fontes sistemáticas de erro que distorcem o entendimento humano. Os Ídolos da Tribo decorrem de limitações inerentes à própria natureza humana, como a tendência a perceber mais ordem na natureza do que realmente existe. Os Ídolos da Caverna são preconceitos individuais que surgem da educação, temperamento e experiência particulares de cada pessoa. Os Ídolos do Mercado derivam da influência enganosa da linguagem e das opiniões correntes. Os Ídolos do Teatro são os sistemas filosóficos dogmáticos que, como peças teatrais, apresentam mundos elaborados, porém fictícios.
Morte e Legado
Bacon morreu em 9 de abril de 1626, ao que se diz de pneumonia contraída enquanto experimentava os efeitos conservantes da neve sobre a carne — um fim adequado, ainda que talvez apócrifo, para um campeão da investigação empírica. Sua influência no desenvolvimento da ciência e da filosofia modernas foi imensa. A Royal Society, fundada em 1660, reconheceu explicitamente Bacon como seu ancestral intelectual. Sua visão de pesquisa organizada, colaborativa e fundada em experimentos tornou-se o modelo das instituições científicas modernas.
Métodos
Citações Notáveis
"Conhecimento é poder." — Meditationes Sacrae (adaptado: 'ipsa scientia potestas est')
"A natureza, para ser comandada, deve ser obedecida." — Novum Organum, I.3
"A verdade é filha do tempo, não da autoridade." — Novum Organum, I.84
"Um pouco de filosofia inclina o espírito do homem ao ateísmo; mas a profundidade na filosofia conduz as mentes de volta à religião." — Ensaios, 'Do Ateísmo'
"Não leia para contradizer e refutar; nem para crer e tomar por certo; nem para encontrar assunto de conversa; mas para ponderar e considerar." — Ensaios, 'Do Estudo'
Obras Principais
- The Advancement of Learning Tratado (1605)
- Novum Organum Tratado (1620)
- The Great Instauration Tratado (1620)
- Essays Ensaio (1625)
- New Atlantis Livro (1627)
Influenciou
- John Locke · influence
- Thomas Hobbes · influence
Influenciado por
- Roger Bacon · Influência Intelectual
Fontes
- Francis Bacon: The History of a Character Assassination by Nieves Mathews
- Francis Bacon: The Logic of Sensation by Gilles Deleuze
- The Cambridge Companion to Bacon (ed. Markku Peltonen)
- Francis Bacon and the Transformation of Early-Modern Philosophy by Stephen Gaukroger